Já falamos sobre a França, Austrália e Portugal, uma pequena volta ao mundo. Encerramos esta jornada, com um país bem amigável e receptivo à cultura brasileira, agora é a hora e a vez do Canadá.

Clarice Lemme de Menezes, 34 anos, Administradora de Empresas

Em 2008, Clarice tinha uma vida estável no Brasil, mas o incentivo de amigos a instigou para a mudança: "uma amiga tinha ido e tinha gostado muito. E o processo de visto era mais rápido que os EUA. Decidi tudo em um mês. Não fiz planejamento elaborado não. Na época morava em BH e vinha pro RJ nos finais de semana para ajeitar tudo. Foi conturbado na verdade". Se a preparação não fácil, a chegada também não, primeiro impacto de Clarice foi a solidão: "a ficha caiu um dia antes de viajar.

Publicidade
Publicidade

Fiquei muito triste pois seria a primeira vez que ficaria longe dos meus pais, família e amigos por tanto tempo".

A escolha da moradia também tem muito impacto na adaptação, se por um lado é responsável por grande parte do amadurecimento que a experiência provoca, também pode causar um pouco de frustração: "morei em casa de família, o final do dia ou a hora de voltar pra casa para mim eram os piores momentos. Ia encontrar uma família que não era a minha. Esse momento era muito difícil. A temperatura, frio insuportável, a comida é bem ruim (risos). Foi tudo uma surpresa. Como não tive muito tempo pra planejamento da viagem não busquei muita informação também. Foi tudo novo...."

Após 7 meses, Clarice reencontrou sua sensação de acolhimento ao desembarcar no Galeão e reencontrar sua família, porém no balanço final, o saldo é positivo: "Morar fora foi um presente dos meus pais pra mim! Foi uma das melhores coisas que eles poderiam fazer por mim! Voltei me sentido realmente uma cidadã do mundo! Eu fui bem recebida em Toronto.

Publicidade

A cultura brasileira é muito admirada e respeitada por lá! Isso me deixa muito orgulhosa de ser brasileira".

Jayme Gabriel Vieira, 34 anos, Designer de Produto

"Minha mais recente estadia no exterior, Vancouver, apresentou um aspecto diferente das viagens anteriores. Devido à crise politica, falta de representatividade, total desconfiança na recuperação dos estados e uma crise econômica avassaladora me vi obrigado a traçar um plano. O que me motivou foi a aposta por um ambiente mais “saudável” para viver e construir um futuro mais sólido".

Gabriel pode sim ser definido como cidadão do mundo, já passou pela Austrália, Portugal e agora, Canadá. Mesmo com um planejamento, como o próprio define, como "pragmático", ele conta que ainda assim a realidade pode nos surpreender: "Minha primeira sensação foi de profundo alívio ao abandonar uma realidade onde a decepção e caos estampavam diariamente os jornais, assim como, se afastar do medo e violência cotidiana. Mas fora o alívio de poder respirar numa nova pagina da minha vida, ao desembarcar no aeroporto de Vancouver não pude deixar de notar que estava chegando num país pluralmente cultural e ordeiro.

Publicidade

Estou usando essa imagem porque o Canadá é conhecido como um país bilíngue, idioma predominante é o inglês e eles também falam francês. Pois bem, eu nunca imaginei chegar num aeroporto deste país onde mais de 60% da comunicação interna estava inscrita em chinês".

Sobre a experiência, Gabriel resume: "eu vivia um sonho acordado. Para pessoas da América latina, num geral, se adaptar à realidade no Canadá, principalmente os centros urbanos, é muito fácil. Há um caldo cultural muito forte, mas o relevante é que todos são mobilizados a atuarem como sociedade respeitando a ordem e seus deveres quanto cidadãos".

No balanço final, Gabriel também destaca as saudades da gastronomia brasileira, mas não é só disso que é feita a experiência: "o mundo é enorme e repleto de maravilhas, mas basta você ter coragem de atravessar a porta! Antigamente tudo era muito distante. (...) mesmo com tanta evolução proporcionada pela globalização, acredito que a experiência de vivenciar a imersão cultural de outra terra é sempre reveladora sobre nós mesmos". #Canadá #Morar no exterior