A estreia no #Cinema bastante aguardada da semana é o filme norte-americano intitulado “Um Limite Entre Nós”, que tem como protagonistas principais, ninguém menos do que a atriz Viola Davis, a mesma que ganhou, como melhor atriz coadjuvante, o Oscar 2017 e o consagrado internacionalmente Denzel Washington, que também é o diretor da película. Essa produção específica da 7ª arte tem raízes no teatro de protesto da sociedade negra dos #Estados Unidos, surgindo daí a essência na arte de interpretação dos atores. A dramatização tem como pano de fundo a cidade de Pittsburgh, no ano de 1957, onde o personagem Troy Maxson, interpretado por Denzel, vive um lixeiro que aos 53 anos de idade vive no meio de um momento social extremamente conturbado do seu país.

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Tanto é assim que, a todo momento, Maxson deixa transparecer a insatisfação dele de não poder ter sido um grande astro enquanto jogador de beisebol, ao que ele atribui a culpa ao #Racismo que imperava na época. A situação não melhora em nada, pois mesmo depois de envelhecido, o personagem tem de lutar contra o preconceito que tenta impedi-lo de ser o 1º motorista negro a guiar o caminhão de lixo para empresa na qual trabalha.

Obviamente que, com a sua técnica apurada no que diz respeito à impostação da fala e da linguagem corporal como um todo, Denzel dá luz própria ao personagem, o qual mesmo sendo “surrado” pela vida e adversidades constantes, não perde a sua altivez e coragem de expor as hipocrisias de um sociedade simplesmente preconceituosa e autoritária. Os ápices nas cenas vão aparecendo na medida em que Rose (Viola Davis) começa a entabular os diálogos cheios de conteúdo com Troy, mesclando inconformidade rebelde, uma certa dose de resiliência e também doçura.

A harmonia do casal na tela é tão perfeita que se consegue “sentir” na própria pele o verdadeiro clima de barril de pólvora que era sobreviver na sociedade norte-americana há décadas atrás; sendo que, era difícil ser tanto homem quanto mulher, cada um nos seus papéis sociais característicos, ainda mais em um ambiente envenenado pelo racismo.

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Ambos os atores conferem a fluidez necessária as falas escritas do dramaturgo August Wilson, morto por câncer em 2005.

O universo claustrofóbico se torna um pouco pior quando entram em cena Cory (Jovan Adepo), um dos filhos do casal, um adolescente, que tem na figura paterna o seu principal oponente para que ele sequer venha a tentar de ser um jogador de beisebol universitário; já Lyons (Russell Hornsby), o filho mais velho, atua como músico e que ao pedir dinheiro uma vez ou outra ao pai, acaba sendo humilhado pelo mesmo. Da trama também participam o amigo e vizinho de Troy, Bono (Stephen McKinley Henderson) o qual funciona como contra-peso no filme e por fim Gabriel (Mykelti Williamson), irmão de Troy, que sofreu na 2ª Guerra Mundial um trauma cerebral irreversível.

“Um Limite Entre Nós” acaba funcionando como a grande consciência coletiva com a qual toda e qualquer família em qualquer parte do mundo pode perceber pontos em comum, ou seja, é uma narrativa que contem pitadas de humor, tragédia ternura, e muita, mas muita consciência de uma sociedade provinciana, mesmo para os Estados Unidos, mergulhada na falsa verdade de que existem pessoas superiores a outras.

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