Ney Matogrosso é uma das figuras mais emblemáticas da nossa música popular. Podemos considerá-lo um ícone da cultura brasileira, que ainda está na ativa fazendo apresentações de tirar o fôlego.

Nascido no interior do Matogrosso do Sul, filho de militar e com uma infância e adolescência conturbada, aiu de casa aos 17 anos, alistando-se na aeronáutica. Viu essa oportunidade como uma forma de se libertar de todos os problemas que enfrentava em casa, vivendo sob o poder rígido do seu pai.

Desde cedo, identificou-se com as artes, aprendendo a desenhar, pintar e cantar no coral da igreja. Assim com também participava de peças teatrais nas localidades do Matogrosso.

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Viveu uma boa parte de sua vida entre Rio de Janeiro e Brasília, deixando seu trabalho como servidor público para viver intensamente como hippie, sobrevivendo de sua criatividade em fabricar objetos artesanais.

Também participou de espetáculos com algumas companhias de teatro, e participou de festivais de música no final da década de 60. No começo da década de 70, recebeu o convite de um produtor musical que estava procurando um homem de voz aguda para integrar uma banda que estava se formando, que logo ficaria conhecida como Secos e Molhados.

Assim começava a saga de Ney Matogrosso em 1973, como vocalista do Secos e Molhados, ao lado dos músicos João Ricardo, Gerson Conrad e Daniel Iasbeck. Auge da ditadura militar no país, Ney para não perder a liberdade de andar na rua, resolveu pintar o rosto, e adotar um estilo exótico e único de se apresentar.

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Como forma de confrontar o emponderamento dos militares através da música e seu discurso liberal, Ney foi diversas vezes ameaçado pelo governo. Mas, isso não o calou, muito menos o intimidou. Em 1974, depois de muitas discussões e conflitos com a banda. Ney deixa o Secos e Molhados para seguir em carreira solo, transformando-se nesse sucesso que se tornou e referência para inúmeros outros artistas que viriam depois.

Homem de princípios retos, conservador na intimidade e explosivo nos palcos. Ney tornou-se um interpréte de reconhecimento internacional, cantando de samba à rock and roll com um brilhantismo e presença de palco inigualáveis.

Sua marca é também calcada sob um magnetismo erótico que ele sempre despertou no público. Atuou, em 2009, no longa-metragem Luz nas Trevas com direção de Helena Ignez. Filme que é a continuação do clássico O Bandido da Luz Vermelha (1968).

Hoje aos 75 anos e mais de quarenta anos de carreira, gozando de uma ótima saúde e vitalidade, conseguiu passar por entre as décadas com um patamar de álbuns clássicos da MPB, trabalhando, produzindo e reinventando-se a cada disco.

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Homossexual assumido, manteve uma relação de amor e amizade com Cazuza, outro grande artista da nossa música. A favor dos direitos da diversidade, como também um ativista ambiental presente nas campanhas de proteção aos animais.

Hoje, Ney Matogrosso goza de um status de ícone da música popular brasileira. Não deixando perguntas sem respostas o homem com H e de sangue latino, mostra que ainda está atento aos sinais. #Cultura