Profunda e surreal são duas palavras que definem muito bem o talento de Florence Welch. Para alguns, considerada uma deusa ou anjo que desceu sob nuvens até a terra para nos encantar com suas canções carregadas de sentimentos e verdades tão bem escondidas dentro de nosso mundo particular.

St Jude faz parte de um projeto da banda Florence and the Machine intitulado The Odissey, que na verdade é um curta-metragem composto por canções de seu último trabalho de estúdio How Big, How Blue, How Beautiful (2015).

Neste curta podemos ver a jornada de um ser lutando contra o bem e o mal, a dor e o amor. Porém, em busca de sua redenção e salvação.

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Até porque a vida pode ser injusta, podemos ser nós mesmos os causadores da tragédia ou o mundo conspira em nossa direção.

St Jude é uma forma de súplica e oração de uma mulher que anda sozinha a procura de sua libertação espiritual. Carregando o fardo de sua alma aflita, duvidando de sua própria convicção.

A canção está trabalhada em cima da história de São Judas Tadeu, que foi um dos apóstolos de Jesus Cristo, santo das causas desesperadas ou perdidas. Cruzando com a literatura de Dante Alighieri e os textos sagrados, uma maneira simbólica de exorcizar os seus demônios em uma caminhada que parece não ter fim.

Em toda a sequência pode-se observar esse apelo religioso, como um retalho que vai sendo costurado em passagens onde o ódio, rancor, lágrimas, chuva e alucinações criam uma esfera surrealista em torno da criação e personificação de um ser humano.

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The Odissey é visto como algo natural e sensorial, onde fantasia e a realidade de convergem. Ainda mais com a divina voz e atuação de Florence, que está cada vez mais devota e entregue ao seu trabalho. Sem contar a estética sombria e ao mesmo tempo iluminadora, como uma viagem que vai das trevas a luz.

Este trabalho tão rico em informações históricas, artísticas e culturais, como o simbolismo recorrente em toda sequência inspirado na Divina Comédia, é tocante, inspirador e com uma mensagem emocional muito forte para aqueles que se encontram desamparados e perdidos dentro deste mundo cruel.

The Odissey foi dirigido por Vincent Haycock, e coreografado por Ryan Heffington, o mesmo que cuida das coreografias da cantora Sia. O curta-metragem obteve boas críticas que foram publicadas pelo The New York Times e outros veículos de comunicação associados ao mundo da cultura pop. Como foi um grande destaque para a evolução artística da banda. #Música