Belchior morreu aos 70 anos sendo a causa o rompimento da artéria aorta.

O rompimento de uma das paredes da aorta, a maior e mais importante artéria do sistema circulatório humano, foi verificado por um médico, do Instituto Médico Legal da de Cachoeira do Sul-RS. O cantor foi muito homenageado por fãs e personalidades, deixando saudade.

Belchior: vida e música

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou como ficou conhecido, Belchior, nasceu na cidade de Sobral, no Ceará, sendo cantor e poeta desde a infância.

Nos anos 70, mudou-se para o Rio de Janeiro, sendo um dos primeiros cantores nordestinos de #MPB a fazer sucesso nacional na época.

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Seu álbum Alucinação, lançado aos 29 anos, foi considerado por vários críticos como o mais revolucionário e um dos mais importantes da história da #Música popular brasileira.

Suas canções discutiram, desde aquela época, temas como materialismo, alienação e política. Porém, a imagem do cantor vendida pela mídia foi bem diferente: a de artista brega, com bigode grande e caricato. Com isso, suas letras passaram um pouco despercebidas para muitos. Mesmo assim, e consciente de sua imagem distorcida, #Belchior questiona a própria indústria cultural, como é possível ver na canção Tocando por música, de 1987.

Alucinação: letras de Belchior são uma crítica à Tropicália

Na canção que dá nome ao álbum, Belchior revela que não está interessado em nenhuma teoria ou melodia que o leve para a fantasia: “A minha alucinação é suportar o dia-a-dia e meu delírio é a experiência com coisas reais”.

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A arte “alegre” retratada por artistas como Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso seria, ideologicamente, uma falsa verdade. A Bahia dos anos 1970 não passava de uma ilusão. Isso fica explícito na música Fotografia 3x4, do álbum Alucinação(1976). Belchior declara: “Veloso, o sol não é tão brilhante pra que vem do norte e vai viver na rua”.

E ainda, em Apenas um rapaz latino americano, ele canta “Mas trago de cabeça uma canção do rádio em que um antigo compositor baiano me dizia: tudo é divino, tudo é maravilhoso. (...) Mas sei que nada é divino, nada! Nada é maravilhoso”.

Músicas de Belchior manifestam indignação ao capitalismo e a burguesia

Sua consciência política fundamenta-se na crítica à supervalorização do dinheiro e da alienação oriunda do mesmo. Em Paralelas, canção do álbum Coração Selvagem, de 1977, Belchior mostra a inferiorização das relações entre as pessoas diante do poder e do materialismo, prejudicando qualquer sentimento, até mesmo o amor.

Em Como os nossos pais, música interpretada pela cantora Elis Regina, o artista retrata a luta pela liberdade sendo deixada de lado pelas pessoas que quando jovens eram idealistas, mas foram transformadas pela sociedade.