O #Brasil perdeu na madrugada do dia 12 de maio de #2017, um dos maiores intelectuais e pensadores do século XX, nas áreas de Literatura, Sociologia e Política.

Antônio Cândido de Mello e Souza faleceu aos 98 anos, no Hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo, onde estava internado há uma semana. Segundo sua neta, Laura Escorel, ele estava com uma indisposição gástrica. Porém, a causa real do óbito não foi revelada.

Seu corpo foi cremado no dia seguinte, 13, em uma cerimônia reservada para amigos e familiares. O desejo de Cândido era de que suas cinzas fossem depositadas ao lado das cinzas de sua esposa, Gilda de Mello e Souza, falecida em 2005.

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Ambos repousarão em um jardim.

Trajetória de vida

Antônio Cândido gostava de se apresentar como crítico literário, mas exerceu ao longo de sua vida várias outras funções. Entre elas, a de conferencista, escritor, professor universitário e sociólogo. Escreveu centenas de ensaios e artigos para a imprensa escrita. Tornou-se referência para os estudantes, leitores e intelectuais que vieram depois dele, pois viam em Cândido uma independência permanente e autêntica em sua linha de pensamento; enxergavam uma integridade moral em sua produção literária e em sua personalidade.

Carioca nascido em 1918, Antônio Cândido entrou para a escola formal só aos 11 anos. Antes dessa idade, quem o alfabetizou foi sua mãe. Veio para São Paulo em 1936 e três anos mais tarde entrou para a Escola de Direito da Universidade de São Paulo.

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No último ano do curso, optou por abandonar os estudos de advocacia. Então, decide fazer Ciências Sociais também na USP. Em 1942, é professor assistente de sociologia. Não parou mais e engatou com entusiasmo. Sua tese apresentada em 1945 sobre o escritor Sílvio Romero, se tornaria o grande impulso na carreira acadêmica. Mesmo tendo se aposentado em 1978, prossegue seu trabalho universitário, orientando os alunos nas teses e nas dissertações de pós-graduação.

Efetuou incursões no exterior, tendo lecionado entre 1964 e 1966, na Universidade de Paris e, em 1968, na Universidade de Yale (Estados Unidos).

Em 1943, ingressa no campo da crítica literária, escrevendo para o jornal “Folha de São Paulo” e ganhou vários prêmios de literatura durante as últimas décadas: o Prêmio Jabuti (1965 e 1993), o Prêmio Juca Pato (2007) e o Prêmio Internacional Alfonso Reyes. Aqui vai uma pequena lista de #Livros que escreveu e publicou: “O Estudo Analítico do Poema” (1987), “O Discurso e a Cidade” (1993) e “Formação da Literatura Brasileira” (1975), este último considerado por muitos sua obra-prima.

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Grande incentivador do Modernismo, Cândido ajudou a revelar e a decodificar alguns autores desse movimento literário do século passado: Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e Décio de Almeida Prado.

Ao mesmo tempo em que fazia carreira acadêmica, não deixava de flertar com as diretrizes da política. Mesmo não tendo ocupado cargo político – embora tenha tentado uma vez, arrebatando a confiança de 500 votos -, participou da Frente de Resistência contra a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Em 1945, ajudou na fundação da União Democrática Socialista. Quando regressou de Paris em 1966, Antônio Cândido , declarou seu apoio ao MDB (de cunho oposicionista à ditadura militar). Onze anos depois, manifestou apoio e assinou o pedido do fim da censura nos meios de comunicação ao lado de outros intelectuais e artistas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Com uma vida tão versátil e cheia de acontecimentos, Antônio Cândido deixa três filhas, vários livros e uma legião de fãs que o admira pela produção e pela maneira como desfrutou de sua existência.