Há muitos anos que o estilo genial de fazer cinema dos diretores brasileiros ganhou as telas do mundo afora. Mas, ainda assim, existe a dificuldade em promover o cinema brasileiro.

Inúmeras dificuldades e crises que o Brasil vem enfrentando ao longo das últimas décadas, não fazem com que o cinema perca seu brilho e espaço, mas deixa a desejar, na maioria das vezes, quando decide apostar em comédias de humor tedioso e barato. Talvez seja muito mais fácil colocar toda a galera do humor atual e produzir uma série de material pegando carona no sucesso dos mesmos.

Brasil é uma terra rica por natureza, admirado por sua abundância de matas, florestas, rios e uma vasta #Cultura influenciada pela junção de diversos povos que migraram para a América do Sul, ao longo das últimas décadas.

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O cinema brasileiro teve seu ponto alto nas décadas de 1930 a 1960. Comédias divertidíssimas foram estreladas por Oscarito, Grande Otelo, Dercy Gonçalves e o nosso Chaplin brasileiro, Mazzaropi. Como também os musicais Alô, Alô Carnaval, com Aurora Miranda e Carmen Miranda, que logo depois foi contratada por Hollywood.

Sua enorme repercussão foi com o estilo Chanchada, que encantou a todos ao trazer para as telas atores como Emilinha Borba, José Lewgoy, Ankito e Mesquitinha. Outros filmes importantes feitos pelo diretor Carlos Manga, entre eles: Nem Sansão Nem Dalila (1954) e Matar ou Correr (1954).

Entre os anos de 1954 a 1963, surge o aclamado cinema novo. Com a influência de grandes diretores como Glauber Rocha, Trigueirinho Neto e Anselmo Duarte, que dirigiu o clássico O Pagador de Promessas (1962).

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Esse mesmo cinema se propagou até a década de 1970, com o surgimento de Ruy Guerra, Paulo César Saraceni e Gustavo Dahl.

Destacamos em especial a obra de Glauber Rocha, criador de muitos clássicos como: Barravento (1962), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967), O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1968) entre outros. Glauber foi duramente perseguido pelo Regime Militar instaurado em 1964, no Brasil. Suas olhar visionário, tinha a intenção de criar um pensamento reflexivo junto de suas obras. Mas, foi interrompido inúmeras vezes para sua insatisfação.

Outros clássicos mudaram a roupagem e o modo de fazer cinema como: Macunaíma (1968), de Joaquim Pedro de Andrade, Os Herdeiros (1969), de Cacá Diegues e Os Deuses e os Mortos (1970), de Ruy Guerra. Até então a realidade brasileira era explorada ao máximo, mas teve alguma exceções em retratar a realidade inspirada no cinema norte-americano. O Bandido da Luz Vermelha (1968), dirigido por Rogério Sganzerla, é um exemplo disso.

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Na década de 1970, é a vez da pornochanchada, filmes que misturavam comédia com erotismo. Que não deixava de ser uma afronta à censura desenfreada que existia na época da ditadura. Ainda no final da década de 1970 para início da década de 1980, o cinema comercial conquista seu espaço com os mais de 14 filmes produzidos com o quarteto Os Trapalhões.

O diretor Bruno Barreto entra nesse quesito com o sucesso de Dona Flor e seus dois maridos (1976), protagonizado por Sônia Braga, sendo até hoje a maior bilheteria do cinema nacional. Embarcando nesse sucesso, A Dama do lotação (1978) de Neville d'Almeida, também com Sônia Braga, Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues, O Passageiro da Agonia (1977), de Hector Babenco, e Eu Te Amo (1981), de Arnaldo Jabor.

Na década de 1980, com a grande crise existente no país, impossibilitando a produção em massa e o crescimento econômico do cinema, alguns filmes ainda foram feitos e tiveram aclamação como o documentário Jango (1984), dirigido por Sílvio Tendler, Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

Na década de 1990, o país enfrentou grandes dificuldades com o governo de Fernando Collor. Mas o cinema retomou seu caminho em grande estilo com Carlota Joaquina - A Princesa do Brazil (1992), de Carla Camurati. Não esquecendo do comovente Central do Brasil (1998), de Walter Salles, que levou a atriz Fernanda Montenegro a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

Nos anos 2000, o cinema retomou seu lugar com as superproduções, entre elas: Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, Carandiru (2003), de Hector Babenco, e Tropa de Elite (2007), de José Padilha.

A crise do cinema nacional no Brasil é pela falta de roteiristas que torna-se alarmante. Temos grandes diretores e pessoas ligadas ao cinema como a Família Barreto e empresas como a Globo Filmes. Mas, falta uma retomada comercial e expansiva da obra. Nos últimos anos, foram produzidos filmes sérios e muito bem dirigidos como Flores Raras (2013), de Bruno Barreto, Paraísos Artificiais (2012), de Marcos Prado e o recente premiado Aquarius (2016), de Kléber Mendonça Filho.