No século I da nossa era, um filósofo, político, escritor, que era o terceiro homem mais rico de #Roma, escrevia cartas a um certo amigo. Mal ele sabia (ou talvez não) que as suas cartas iriam ser lidas ao longo de séculos até o ano de 2017.

O seu nome era Sêneca, um dos poucos escritores da #antiguidade que teve sucesso em vida e as cartas para Lucílio foram sua última obra. Cada carta das "Epístolas Morais" surge de situações e exigências do dia-a-dia, situações propícias para fazer alguma reflexão e trazer um ensinamento para o leitor.

A verdadeira amizade nas cartas

Sêneca era um filósofo do estoicismo, corrente filosófica, que, bem resumidamente, pregava o alcance do bem máximo e da virtude por meio da ausência de movimentos e agitação.

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Sêneca ensinava um equilíbrio nas mais variadas áreas da vida humana:

"Assim refute ambos, tanto os que sempre estão inquietos como os que sempre ficam quietos. pois não é diligência que se agrada do tumulto, e sim o movimento de uma mente exasperada, essa atitude de julgar que todo movimento é um pesar não é quietude, mas sim preguiça". (Carta 3, parágrafo 5)

Sêneca fala muito sobre #amizade, uma amizade filosófica, bem diferente do que entendemos hoje, ele diz que a verdadeira amizade é cultivada por ela mesma. A primeira função da amizade é chegar à sabedoria e à virtude, porém nela existe prazer.

O tom das cartas é coloquial, muitas vezes Sêneca é direto e duro e vários elementos nelas nos fazem parecer que foram escritas para os dias de hoje, o efeito de espontaneidade é incrivelmente cativante!

"Mas se considera seu amigo alguém em que você não confia tanto quanto em você, está seriamente errando e não conhece muito bem o valor de uma verdadeira amizade".

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(Carta 3, parágrafo 1)

A amizade de hoje e a filosofia antiga

Muitas pessoas se inspiraram nas cartas de Sêneca ao longo da história: Agostinho (mais conhecido como Santo Agostinho), Dante Alighieri, Erasmo de Rotterdam e Racine, dentre outros. Nos tempos mais modernos o escritor das "Crônicas de Nárnia" C. S. Lewis, no seu livro "Os quatro amores" escreve:

"O nascimento de uma amizade pode ser simbolizado na frase: ‘O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único!’. Enquanto os amantes olham-se frente a frente, absorvidos mutuamente, na amizade sentamos lado a lado, absorbidos em um interesse comum."

É interessante que, às vezes, hoje o sentido da palavra "amigo" e "amizade" tem muitas nuances diferentes e não digo nem melhores ou piores do que para os antigos, mas simplesmente diferentes. Às vezes, é de se perguntar se, nessa sociedade tão imediatista e cheia de conexões e amizades no Facebook, podemos realmente olhar para alguém e dizer: "Sou amigo dele e ele é meu amigo".

Esse texto foi somente uma introdução ao tema, literalmente inesgotável.