No último dia 3 de julho, segunda-feira, o Teatro Xisto Bahia ficou lotado para a 23ª edição do Miss Bahia Gay, com a produção de Bagageryer Spillberg. Neste ano, doze candidatas concorreram ao titulo de Miss, representando a capital e cidades do interior da Bahia. A dedicação dos homens em se travestir de mulher pôde ser vista nos vestidos da alta costura, na confecção de cintura, cabelos e principalmente na arte em transformar o rosto masculino em feminino.Quem está na plateia jamais entende como tudo aquilo acontece e é sobre esta suposição que vamos conversar.

Como começou

Bagageryer completou 30 anos de carreira.

Publicidade
Publicidade

A primeira vez em que se montou foi em 1986, para participar do Miss Rio Grande do Norte. O incentivo dos amigos fez nascer "Muriel Ganna Bagageryer Spillberg". Na disputa, foi eleita a Miss Simpatia e dali em diante se transformou em referência da arte #LGBT.

Apenas em 1995 Baga deu vida ao primeiro Miss Bahia Gay, na boate Holmes. O título de Stefany Simpson abriu caminhos para Tracy Whitney (96), Bianca Bensiguer (97) , Linda Gasparelli (98), Eneuris Star (99), Debora Ventuty (2000), Tayla Mugler (2001), Sanamy Des’Par (2002), Mitra Mairik (2003), Veiga Yeshiley Campbell (2004), Scarlet Carolina (2005), Miely D’Buchy (2006), Barbara lemos (2007), Suzzy de Costa (2008), Patricia Bier (2009), Suylla Della Ran (2010), Mellany Derssan (2011), Bianca Novaes (2012), Mellyssa Kimboow (2013), Niccole Foster (2014), Kayscha Kutner (2015), Ludymilla striker(2016) e Petra Peron (#2017).

A produção do evento

Nunca foi fácil manter um projeto, principalmente quando este evento é LGBT e não há incentivo de grandes empresas ou dos órgãos culturais.

Publicidade

A produção de Baga sempre contou com o “Faz #Cultura da Amizade”, forma carinhosa que dá nome ao ciclo de amigos que ajudam financeiramente o acontecimento do evento. Os valores são variados, já recebeu doação de trinta reais, assim como de quinhentos, além de jóias e prêmios com valores desconhecidos.

Ao entrevistar Spillberg soube que tudo começa com o planejamento. Cuidadosamente, ele, André, o ator e produtor que dá vida a Baga, inicia seu planejamento sozinho. Decide o palco, o roteiro, os shows que irá apresentar e aguarda a colaboração do "Faz Cultura da Amizade", que acontece entre amigos que vivem na Europa e no Brasil.

A forma do bolo é desconhecida, não se sabe como consegue pagar os custos, muito menos distribuir regalos. Quem assiste ao espetáculo vê e ouve a apresentadora distribuir tudo que recolhe entre os amigos. Sim, envelopes são distribuídos como prêmio contendo em torno de duzentos reais, o primeiro lugar recebe um maior prêmio, e geralmente convidadas para show recebem um cachê, muitas vezes maior que os oferecidos em casas noturnas.

Publicidade

A mídia esteve presente desde o início e o artista garante que o nome Bagageryer sempre foi querido por colunistas que divulgam o evento. Porém, fazendo uma analise, é possível enxergar que a cobertura dos eventos sempre foi maior do que a divulgação do mesmo. Claro, o jornalismo é feito do fato ocorrido, desta forma, sempre será mais fácil dizer como foi um espetáculo do que gerar curiosidade antes do ocorrido.

O Miss Bahia Gay 2017 elegeu Petra Perón como representante da beleza baiana, que foi notícia em varias mídias. Além disso, garantiu uma vaga para concorrer ao Miss Brasil 2017, que acontecerá no dia 2 de novembro deste ano. O evento também não é patrocinado por instituições, governo ou grandes marcas e não faz parte de nenhum programa de incentivo à cultura. Porém, o "Faz Cultura da Amizade", produzido por Baga, garante o maior espetáculo de Beleza Gay na Bahia e um dos mais respeitados do Brasil.

Após expor o incansável projeto de Baga, é necessário pensar se continuar desta forma, com o"Faz Cultura da Amizade" é o único caminho, abrindo possibilidade para pensar no que impede que empresas patrocinem eventos LGBTs e de que forma estes eventos podem ser abraçados pela Secretária de Cultura da cidade ou Estado.