Domingo (16), a BBC anunciou que o décimo terceiro Doctor Who, herói da #série-cult homônima, será interpretado por uma #Mulher, a atriz Jodie Whittaker. A série de ficção científica britânica ficou conhecida em 1963 e até o momento teve doze intérpretes masculinos. A história trata das aventuras do Doutor, um Senhor do Tempo, alienígena do planeta Gallifrey, que explora, com sua máquina do tempo, o universo, enfrentando ao lado de seus aliados inúmeros inimigos a fim de salvar civilizações. Ao tomarem conhecimento da notícia, internautas se dividiram nas redes sociais, eufóricos pela perspectiva de mudança. Há também os que criticaram duramente a escolha de uma protagonista para o papel.

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Demonstrando uma hostilidade abertamente sexista ao anúncio, internautas publicaram mensagens associando, por exemplo, a máquina do tempo, transporte utilizado pelo Doutor, ao espaço interior de uma cozinha; ou o compartilhamento da imagem de um caixão juntamente à mensagem de adeus à série. Houve quem defendesse a atitude de resistência ao câmbio de gênero do personagem afirmando que tal reação é plausível no contexto de que a escolha foi feita para se ajustar ao politicamente correto, aos defensores da justiça social, o que acabara por arruinar a série.

'Doctor Who' não é a única série ou longa-metragem atual a colocar como protagonista uma mulher em um local até então monopolizado pelo masculino. Recentemente, o remake de 'Os Caças-Fantasmas', lançado em 2016, trouxe mulheres como protagonistas, assim como 'Star Wars: o despertar da força e Rogue One: uma história Star Wars'.

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Uma mulher também foi anunciando como personagem principal para o próximo 'Star Trek'. A figura de sabedoria e poder em 'Doctor Strange', adaptado da comics para a cinematografia e lançado ano passado, também está centrada na figura de uma mulher, interpretada pela excelente Tilda Swinton: 'A Anciã'. Vale lembrar que, por seu visual andrógino, Swinton interpretou o anjo Gabriel em 'Constantine', lançado em 2005.

Apesar dos comentários negativos com relação a novidade, muitos leitores de sites como o do jornal Daily Mail britânico manifestaram alegria ao falar que esperaram toda a vida por isso e que uma mulher também pode ser jedi, caça-fantasma ou senhora do tempo, e que todas as garotas que assistem Doctor Who podem enfim se imaginarem outra coisa. Mesmo alguns que disseram ter abandonado a série por diversos fatores, afirmaram voltar a assisti-la somente para aproveitar o novo fôlego trazido pelo anúncio.

“Se vocês pensam que isso não é real, o Doctor Who mudar de gênero, eu tenho más notícias para vocês quanto aos extraterrestres, a viagem no tempo e a regeneração”, foi uma das frases, que trata do fato do Doutor mudar de corpo para evitar a morte; ou “Se vocês utilizam a “defesa da justiça social” como insulto, eu tenho muito medo de que esta série não seja para vocês.

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O Doutor é o maior defensor da justiça social de todos os tempos!”, faz alusão às temáticas envolvendo casais homossexuais ou arcos femininos fortes da série, defenderam a escolha da BBC.

Fato é que em meio a tantos prós e contras, por abrir espaço para o protagonismo feminino em uma série até então de personagens principais masculinos, Jodie Whittaker carrega mais responsabilidades em suas espaldas do que os últimos doze Doctor Who. E mesmo que a flexibilização de papéis seja importantíssimo para as discussões acerca da igualdade de gênero, precisar trabalhar mais ou provar ser melhor do que seus antecessores como forma de validação do papel ter sido ofertado e aceito por uma mulher, ainda é profundamente injusto e indica o longo caminho a ser percorrido. #DOCTORWHO