Com uma escrita rápida e visceral, Aislan Coulter aponta como a mais nova promessa da #Literatura horror. Conhecido como mestre do horror gore regional, título que recebeu por sua primeira obra O Cordel de Sangue, o autor traz de volta um monstro clássico, o vampiro. Com uma roupagem gore e uma narrativa rápida — como o autor mesmo definiu “um livro para ser lido numa viagem, dentro de um ônibus, enquanto uma tempestade cai do lado de fora” —, ‘’Twittando Com o Vampiro’’ é um livro com cenas fortes e repulsantes.

O sertão dos cangaceiros: uma terra regada a sangue

Coulter lançou seu primeiro livro, O Cordel de Sangue, no final do ano passado.

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O livro é uma antologia com 11 contos no sertão dos cangaceiros. As histórias seguem a partir da morte de Lampião e seu bando. Estão interligadas, mas podem ser lidas separadamente sem comprometer o entendimento da obra — uma sacada inteligente do autor. O livro é de embrulhar o estômago e foi considerado uma obra forte e repugnante.

Além de vampiros, lobisomens, demônios, alguns seres do folclore brasileiro surgem em algumas histórias. Destaque para a última história que traz o saci-pererê de uma forma assustadora.

Twitter, vampiros , fantasmas e vodu

Às vésperas de se tornar o governante do mundo, o vampiro forasteiro Kelvin Malon dizima a pacata Rancho Oeste. Sexo, sangue e tripas num ritmo alucinante. A trama de Twittando com o Vampiro se desenrola por três narrativas: a morte narrando os ataques do vampiro, as páginas do diário de uma jovem esquizofrênica que teve um vídeo íntimo exposto na internet e um assassino da deep web em busca de uma misteriosa cruz no Norte do país.

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“No fim do corredor, Rud tenta gritar e se afoga com o próprio sangue. As golfadas entopem o esôfago. Olhando para a lua – que está suculenta e gorda –, sente o abraço do vampiro por trás. As garras cruzam o abdômen do frentista. A gordura é separada da musculatura. Os caninos perfuram o pescoço. Rudney é uma espécie de fantoche com os olhos apontando para todas as direções. Sua boca exibe mais duas golfadas vermelhas com pedaços de carne. Rud e seu topete são apenas uma massa de carne pingando sangue.”

Na trajetória do assassino da deep web, muita bruxaria, vodu haitiano e zumbis. O diário de Aline Brein traz descrições de embrulhar o estômago. Como em seu primeiro livro, Aislan constrói cenas nauseantes, repletas de órgãos espalhados pelo chão, estrume humano e muito sangue.

"Fiquei um tempo olhando para aquele tronco descomunal boiando naquele oceano amarelo. Toda aquela espessura e comprimento... Nem parece que saiu de mim. Depois de algum tempo, as laterais começaram a se dissolver. As farpas de mandioca se tornaram tênues, o feijão ganhou destaque. A coloração da água mudou. O náufrago estava morrendo. Diluído. Consumido pela minha urina ácida e pelo cloro."

“Os olhos cambaleavam de um lado para o outro. Um sorriso medonho distanciava as bochechas, os dentes podres, a língua trépida, esverdeada, num gesto quase obsceno. Sangue brotava e escorria sobre a gengiva, era como essas cascatas desses parques aquáticos que vocês têm por aqui agora.”

Ritmo Alucinante

O livro tem elementos cinematográficos.

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Começa com um ticking clock e a cada capítulo acaba num cilffhanger. Frases curtas, parágrafos e capítulos pequenos. Os ataques do vampiro acontecem no presente.

O diário da jovem esquizofrênica é bizarro e traz relatos de entidades promíscuas. As partes do assassino da deep web são em forma de diálogo no tempo presente.

A sequência

Com um plot twist incrível tudo, indica que haverá uma continuação. A última cena do livro não deixa dúvida. Uma abordagem original que deixou os fãs da Transilvânia paralisados. Twittando com o Vampiro é, sem dúvida, um marco na literatura de horror e Aislan Coulter será sempre lembrado por essa obra.

Cultura pop e rock and roll

Twittando com o Vampiro traz elementos da cultura pop, vampiros, zumbis e fantasmas. Destaque para o fantasma travesti do Walmart, que é de arrepiar!

“Ele riu, rangendo os dentes. A cabeça estava coberta de sangue. O buraco era grande – dava para ver do outro lado – e escorria parte da massa cefálica.”

“Fitei o espectro pelas costas. Uma massa verde estava grudada no fio dental e havia respingos secos do estrume nas nádegas.”

E para o fantasma do rei do rock, Elvis Presley, que faz uma ponta na trama. #Cinema #Livros