Esse documentário é revelador e chama a atenção para a recente história de #escravidão do nosso país.

A história é de Aloísio da Silva, um menino que foi "adotado" em 1933. Ele era um dos órfãos que morava na Irmandade de Misericórdia no Rio de Janeiro e foi levado até Campina de Monte Alegre, município do Estado de São Paulo, localizado a pouco mais de 200 km da capital. Ele foi um dos 50 meninos "adotados" pela família Rocha Miranda, mal eles sabiam que seriam literalmente escravizados pelos 10 anos seguintes de suas vidas.

Essa descoberta aconteceu numa sala de aula com o professor Sidney Aguilar, ele era doutorando em história pela Unicamp e ao ensinar sobre #Nazismo e mostrar a suástica para os seus alunos, foi interrompido por uma aluna que já havia visto esse símbolo nos tijolos em uma fazenda que conhecia.

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As investigações começaram, e os dados que surgiram espantavam os professores e pesquisadores. Fernando Bonadia de Oliveira, professor e pesquisador, examinou o livro de saídas de crianças órfãs da Santa Casa de Campinas-SP, no mesmo período em que ocorreu a saída dos 50 meninos da mesma instituição no Rio. Dezenas e dezenas de garotas saíam do #orfanato campinense enviadas para casa de família. O documentário não fala dessas jovens, porém qual foi o destino delas?

Vencendo o silêncio e o esquecimento

A verdade é que alguns dos membros da família Rocha Miranda estava ligada ao movimento integralista e tinham relações inclusive com empresas nazistas da Alemanha - o que justificava as suásticas em tijolos e no lombo do gado da fazenda.

Aloísio não foi o único "menino" a ser encontrado, também Argemiro que foi o único que fugiu da fazenda, dele nem mesmo a família estava a par da sua própria história.

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Essas histórias são esquecidas, com ou sem intenção, e são memórias em que existe uma certa resistência para serem trazidas de volta. É interessante a Sra. Nenê no documentário, esposa de Argemiro, que não quer tocar nas feridas antigas e por isso diz que prefere esquecer toda a história.

O diretor do filme Belisário França que já dirigiu filmes sobre música, dança, religiosidade, linguagem brasileira e sobre o universo indígena e a floresta Amazônica afirma:

"Conversei muito com Seu Aloísio e nele enxerguei a revolta, o ressentimento. [...] Até sua morte ele jamais se desvinculou da família que o levou para Campina do Monte Alegre, nutrindo igualmente sentimentos de amor e ódio. Nesse momento percebi que estava lidando com muito mais do que imaginava".

Documentário finalista para o GP do Cinema Brasileiro

O documentário é um dos filmes que está concorrendo como "Melhor longa metragem documentário" no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Hoje disponível no Now da Net já foi exibido na França, Itália, Espanha e em diversos lugares do Brasil.

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Um ótimo conteúdo totalmente brasileiro que é um símbolo de quanto a academia brasileira pode contribuir para a sociedade e para o grande público.

Assista o Trailer: