Pavilhão 9, banda paulista que se tornou conhecida pelos sucessos "Mandando Bronca" e "Opalão Preto", acaba de lançar o álbum Antes Durante Depois (2017). Após 11 anos de hiato, os vocalistas Rhossi e Doze retomam as atividades do grupo, agora acompanhados pelo baterista Leco Canali (do Tolerância Zero), pelo baixista Heitor Gomes (com passagem pelo Charlie Brown Jr.) e pelo guitarrista Rafael Bombeck.

O showlivre.com bateu um papo exclusivo com Rhossi sobre o retorno do grupo, o novo álbum e a atual formação. Confira a íntegra a seguir.

No Lollapalooza 2012 houve um breve retorno da banda, inclusive com promessa de novo single. O que postergou o retorno definitivo?

A banda estava parada quando fomos convidados para tocar no Lollapalooza (2012).

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Não tínhamos planos para a volta naquele momento. Foi cogitado sim, na época, o lançamento de um single, mas os integrantes estavam com a cabeça em seus projetos individuais, e a volta foi deixada de lado na época.

Como se deu o encontro de Rhossi e Doze com os atuais membros da banda?

Os integrantes anteriores não estavam mais a fim de continuar a carreira na banda. Cada um foi cuidar de seus projetos particulares. O Doze e eu, como vocalistas, tínhamos a missão de continuar, por isso decidimos convidar novos integrantes para a banda. O encontro aconteceu de forma natural. Nós já conhecíamos o Heitor Gomes desde a época do Lollapalooza. O Rafael Bombeck já havia tocado comigo no meu projeto solo, e o Leco Canali veio do Tolerância Zero, nossos parceiros de longa data na #Música. Eu sempre digo que o Pavilhão 9 é formado por todos aqueles que, de alguma maneira, fortaleceram para a gente continuar contando essa história agora.

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Os novos integrantes chegaram com uma nova energia que está sendo muito importante e necessária para a volta do Pavilhão 9.

Podem falar um pouco sobre o processo de composição do novo disco? Em geral, dão início pelas rimas ou pelas bases?

O processo de composição depende do momento. Às vezes, começamos pelas bases, como foi o caso das músicas "Tudo por Dinheiro", "Antes Durante Depois" e "Boca Fechada". Nessas, o Heitor Gomes me mostrou as bases primeiro e eu, na sequência, escrevi a letra.

As músicas são todas recentes ou estiveram na gaveta durante esses anos?

Para elaborar esse disco levamos três anos. Todas as composições são recentes, porém estamos nesse processo, pesquisando temas e referências musicais há algum tempo.

Há quem diga que o funk é uma expressão cultural legítima. Podem falar um pouco sobre os versos "Que funk é esse/Contaminando a favela/Se tem interesse/Leia Nelson Mandela"?

Concordo que o funk é uma expressão cultural legítima. Ele literalmente contaminou a favela, pois é o ritmo que todas as comunidades ouvem.

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Aliás, não só as comunidades, ele está em todas as camadas da sociedade. A liberdade de expressão é necessária. Nosso papel não é ditar regras, mas acredito que seja importante questionar o que estamos vivendo, fazendo um contraponto para que as pessoas possam refletir e ver que há outras possibilidades, outras formas de expressão culturais tão legítimas quanto o funk. Ouvir o funk pode ser divertido, mas o caminho não pode ser só esse. Há momentos em que é preciso falar de coisas sérias, tomar decisões importantes, como votar, e é aí que conhecer outros caminhos faz a diferença.

Uma turnê de lançamento está prevista? Já há shows marcados?

Estamos no processo de divulgação do álbum e a agenda de shows foi aberta recentemente. Já temos o 1° show da tour "Antes Durante Depois" marcado para 19 de outubro, no Bar Opinião, em Porto Alegre. Estamos prospectando datas para São Paulo (Capital e Interior), Rio de Janeiro, Bahia e Recife. #rock #rap