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Ele cantou sobre a geração Coca-Cola, versou sobre as relações entre pais e filhos, levantou bandeiras sociais sobre as comunidades indígena e LGBT e chegou até mesmo a músicar um trecho da primeira epístola de São Paulo aos Coríntios, da Bíblia.

Nascido no Rio de Janeiro mas parcialmente criado e muito identificado com Brasília, Renato Mandrefini Junior não foi um astro do rock como outro qualquer. Conhecido pela alcunha de Renato Russo – apelido que inventou para si mesmo inspirado no inglês Bertrand Russell e nos franceses Jean-Jacques Rosseau e Henri Rosseau -, o músico marcou seu nome na história da #Música popular brasileira em seu trabalho com a banda #Legião Urbana e também em sua carreira solo.

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Compositor de uma série de clássicos do rock brasileiro, Russo morreu há exatos 21 anos, em 11 de outubro de 1996, vítima de complicações da AIDS, doença que contraíra em 1989. Desde sua precoce partida, aos 36 anos, Russo continua sendo saudado como um dos principais nomes da história da música brasileira, tendo inspirado diversas versões, homenagens e até mesmo dois longa metragens, um inspirado em sua adolescência (“Somos Tão Jovens”, de 2013) e outro em uma de suas mais icônicas músicas (“Faroeste Caboclo”, também de 2013).

Abaixo, relembramos a trajetória do compositor do anonimato ao estrelato como um dos mais adorados astros da música brasileira:

Do Rio de Janeiro à Nova York; de Brasília ao leito

Filho do economista Renato Manfredini e da professora de inglês Maria do Carmo Manfredini, Renato foi criado na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro.

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Aos 7 anos, mudou-se para Nova York, para onde seu pai, que trabalhava no Banco do Brasil, fora transferido.

De volta ao Brasil, passou mais uma temporada no Rio antes de se mudar aos 13 anos para Brasília. Na cidade que tão bem descreveria em suas músicas, Renato viveu também um de seus períodos mais dramáticos. Portador de Epifisiólise, rara doença óssea que atinge o quadril, Renato precisou ser submetido à uma cirurgia para aplicação de pinos. O procedimento obrigou-o a permanecer de cama por seis meses, num total de recuperação de um ano e meio.

Apesar do lamento em ter seus movimentos limitados no auge da adolescência, o período é considerado por biógrafos e amigos como crucial para o desenvolvimento da verve artística de Russo. Foi durante a recuperação que o jovem passou a se dedicar exclusivamente à leitura e à música, hábitos que definiriam sua persona artística e influenciariam parte de suas composições posteriores.

Já recuperado, usaria os anos seguintes para praticar hábitos comuns aos jovens: ingressar na faculdade (jornalismo), arrumar um emprego (professor de inglês), e explorar sua sexualidade, revelando-se bisexual aos 18 anos de idade.

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O Aborto Elétrico e a Fase Trovador Solidário

Encantando pela explosão do punk que tomava os jovens do mundo de assalto, Russo não demorou a encontrar figuras parecidas na Capital Federal, integrando aquela que ficou conhecida como “a turma da colina”.

Ao lado do amigo Fê Lemos, que depois se tornaria o baterista do Capital Inicial, e de André Pretorious (depois substituído por Flávio Lemos), formou a banda Aborto Elétrico, grupo de punk rock que abrigaria algumas primeiras versões daquelas que mais tarde se tornariam canções clássicas da Legião Urbana, como “Ainda É Cedo” e “Geração Coca-Cola”, e do Capital Inicial, como “Fátima” e “Música Urbana”.

A Legião Urbana ganha o Brasil

Após o fim do Aborto Elétrico, em 1981, Renato passa a se dedicar à canções solo, na fase que chamou de “O Trovador Solitário”. Emulando canções folk, o compositor aperfeiçoou suas técnicas de composição e empostação vocal, marcas que mais tarde se tornariam características famosas do trabalho da Legião Urbana. Foi também nessa época que sugiram outras canções que se tornariam clássicos da banda, como “Eduardo e Mônica” e “Faroeste Caboclo”.

Pouco depois, formou com Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha a formação clássica da banda que o tornaria famoso no Brasil inteiro: a Legião Urbana.

Inspirado pelo pós-punk que ganhava as paradas e a cena underground com bandas como Smiths e The Cure, Russo e seus companheiros ajudaram a criar um segmento do gênero no Brasil, e rapidamente se tornaram um dos principais nomes do rock brasileiro que teve na década de 1980 um de seus períodos mais frutíferos.

Com oito álbuns de estúdio lançados, a banda se tornou uma das mais icônicas do Brasil, permanecendo até hoje como um dos grupos de rock mais tocados e venerados do país. Diagnosticado como soropositivo em 1989, Russo não resistiu às complicações da Aids e faleceu em 1996, aos 36 anos de idade. A banda anunciou seu fim logo após a morte do músico, mas algumas reuniões pontuais com vocalistas convidados foram realizadas como forma de celebrar o legado do grupo.

Além de uma infinidade de canções e material artístico deixado nos discos da Legião e em seu trabalho solo de cinco discos, Russo deixou também um herdeiro, Giuliano Manfredini, que tornou-se responsável pelo legado comercial e cultural do pai e chegou a entrar em conflito judicial pelo nome da banda com os ex-integrantes da Legião Urbana. #Renato Russo