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O ano era 2014, época em que o brasileiro começava a questionar seus ídolos, vistos outrora como arautos da liberdade de expressão. Mas com o viés autoritário dos mesmos desmascarados em razão da polêmica em torno das biografias não-autorizadas, eis que surgia, em Pernambuco, um rapaz que viria a plantar uma semente que hoje está dando muitos frutos. Na época, atendia pelo nome de Mr. Gângster, e começou a criar sua fama com "#bolsonaro, o Messias", o primeiro rap de direita do mundo.

De lá pra cá, muita coisa mudou. O rapper atende atualmente pelo nome artístico 'Luiz, o Visitante', lançando "O lado direito", expandindo seu pioneirismo para a condição de ser o cara do primeiro álbum de #rap de direita do mundo.

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Atualmente, o artista ambiciona navegar em outros mares com o movimento 'Destra Rap', subgênero criado por ele, cuja característica principal é ter como temática o conservadorismo político. O movimento é dedicando a temas como o anti-feminismo, a defesa do estado mínimo, das Forças Armadas e a exaltação de figuras que povoam o imaginário de qualquer direitista brasileiro, como é o caso do Coronel Brilhante Ustra.

Contudo, para ter um estilo musical para chamar de seu, é óbvio que não poderia ser exercício de um homem só. Com a difusão das músicas de Luiz pela internet, rapidamente apareceram algumas pessoas se arriscando no FL Studio e lançando seus "raps de direita". Thiago Smorf, Troglobio MC, Alan Curtz, Jean Jotacê, dentre vários outros estão dentre as figuras de maior sucesso. Além deles, também há o policial Papa Mike, que prefere não mostrar seu rosto, o católico O Sandro Miguel, e até mesmo um produtor angolano, radicado no Brasil, meteu-se no meio: Sérgio Beatz.

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Conexão Angola-Brasil

O surgimento de Beatz, inicialmente como produtor de "Se essa rua fosse minha", foi fundamental para um verdadeiro salto quântico nas pretensões do pernambucano. Inicialmente se pensava apenas em uma conexão com um país que compartilha conosco a língua portuguesa, mas o surgimento de uma parceria com o rapper venezuelano Neon delineou o que hoje chamamos de Destra Rap: uma verdadeira convergência internacional que almeja difundir o conservadorismo num estilo musical marcado por um discurso ideológico de esquerda.

Rap católico

De Porto Alegre, O Sandro Miguel marca território na condição de rapper católico, que teve um início de trajetória bem problemático. Um prejuízo financeiro incalculável no seu primeiro álbum, briga com a gravadora e boicote em razão de seu posicionamento político, ainda que tenha estourado na Rádio Atlântida, a maior do seu estado. Atualmente, tem como produtor de seus trabalhos mais recentes um multi-instrumentista que coaduna com seus princípios religiosos e está numa condição mais estabilizada.

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Conterrâneo legislador

Nesse meio tempo, vale abrir um parêntese para o também pernambucano Jean Jotacê, que foi picado pelo proselitismo de Luiz, e recebeu uma ajuda do mesmo para lançar "A décima quinta lei de Greene", seu hit de sucesso.

Nem ele imaginaria quantos soldados teria

Como o Destra Rap, que até precisou ser batizado e tudo, ganhou proporções inimagináveis e invadiu outros territórios, acabou surgindo a necessidade de se lançar uma série de coletâneas com rappers de direita. A primeira, assim como as seguintes, terá dez músicas, reunindo a nata do Destra Rap, que já pode ser acessado nas plataformas virtuais #destrarap