A vida muda com o passar dos anos e o que antes parecia inimaginável logo se torna rotina. Questão de perspectiva: para quem tem vinte anos, falta o equivalente a metade de todo o tempo que já viveu para chegar aos trinta. Para chegar aos quarenta, falta outra vida (vinte anos) inteira. Parece uma eternidade, mas chega rapidinho.

Evidentemente, os trinta anos funcionam como uma linha convencional separando duas épocas na vida da pessoa. Ninguém (ou quase ninguém) vai dormir como uma fera das baladas e acorda na manhã do trigésimo aniversário como um monge beneditino. Mas a ideia tem o mérito de facilitar o contraste e permitir que entendamos melhor as mudanças que ocorrem em nossas vidas (claro, cada pessoa é um indivíduo diferente, submetido a circunstâncias diferentes, etc., mas vale a pena dar uma olhada na regra geral).

1 - Talvez seja um mecanismo psicológico de autodefesa, talvez sejam a experiência e um pouco de sabedoria duramente conquistadas, mas idades superiores a trinta anos, que pareciam idades de fósseis de dinossauros, passam a ser idades comuns, com vantagens e desvantagens como qualquer outra.

2 - Depois de um tempo, os velhos joguinhos de popularidade perdem importância. A esta altura, a pessoal geralmente já conquistou um certo senso de valor pessoal que não depende da opinião alheia, encontrou um nicho (talvez não definitivo) na vida, já tem interesses mais amplos do que simplesmente ser popular e já tem um núcleo de amizades unidas por afinidades. O que o resto da “galera” pensa e quais são as fofocas do momento ficam no pátio da velha escola, que é o lugar deles.

3 - Ficamos mais seletivos com a idade, parece. Em vez de quero “ter um milhão de amigos” como na canção do Rei Roberto Carlos, “few, but good” (poucos, mas bons) torna-se a regra geral.

4 - Será que amolecemos com a idade ou simplesmente passamos a dar mais valor a certos confortos? Sair pelo mundo de mochila nas costas é legal, mas uma cesta de frutas de cortesia também não cai mal. Faça sua escolha.

5 - Os bilhetinhos apaixonados (de papel ou eletrônicos) são substituídos por lembretes para comprar leite ou levar o filho ao dentista. Não é que o amor tenha acabado, ele só ficou diferente, mais maduro. De certa forma, é um bom sinal: o amor, longe de permanecer uma exceção, algo à parte da vida cotidiana, passou a integrá-la, o casal divide um projeto de vida. Ele não se queima mais na fogueira da paixão, mas se aquece na lareira do amor e do companheirismo.

6 - Em parte, é culpa da biologia e, em parte, é culpa das trabalheiras e responsabilidades que vão crescendo com o passar do tempo. Antes dos trinta, “a noite é uma criança” às 10 horas. Depois dos trinta, quando são 10 horas, já passou da hora de ir para o “berço”, que o dia seguinte vai ser puxado.

7 - Pois é, cada vez mais, a aventura noturna preferida é dormir cedo com um bom livro e a cara-metade do lado. Não é ruim.

8 - De novo, a maldita biologia. Antes dos trinta, as calorias iam embora quase tão rápido quanto chegavam. Depois dos trinta, se quiser manter o manequim, vai ter que, literalmente, malhar muito e fechar a boca. É da vida.

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