São 300 mortes por sua própria conta. Mais 3000 assassinatos dos quais foi o organizador. Sem contar os 200 ataques realizados com carros-bombas, em que participou como mentor. John Jairo Velásquez Vásquez, conhecido como “#popeye”, foi o braço direito (e armado) de #Pablo Escobar. Prefere, porém, se apresentar como “assassino profissional”.

Profissão: bandido

Popeye contou para o jornal Expresso, de Portugal, que aos 12 anos já se sobressaía como “o maior traficante de marijuana do bairro”. Aos 17, conheceu El Patron. Hoje, aos 54, é o último sobrevivente dentre a legião de assassinos que operava a mando de Escobar durante o Cartel de Medellin.

Baleado por sete vezes e depois de resistir aos 23 anos – repletos de atentados – aprisionado em Conbita, na Colômbia, Popeye agora vive em um lugar sigiloso e com segurança 24h, tendo em vista a multidão de inimigos deixados por seu rastro de sangue. Jairo Vásquez diz se sentir um “imortal” por tudo que passou e acredita que só continua vivo porque foi extremamente disciplinado ao longo de sua trajetória.

Vásquez esteve envolvido, direta e indiretamente, em verdadeiras chacinas organizadas na Colômbia. Entre elas, o atentado ao voo da companhia Avianca, que fez 110 vítimas em 1989, e também a morte de aproximadamente 500 policiais, assassinados a tiros em troca de uma recompensa do Cartel.

O assassino se declarou como um “guerreiro das ruas na guerra contra o Estado” e ainda se refere a Escobar como o seu “patrão”. Entretanto, em um dos vídeos onde reconta sua história, Popeye disse: “Tudo que Pablo Emílio Escobar Gaviria fez foi ruim. É importante que as novas gerações não se fixem nas figuras de Pablo Escobar e menos ainda na minha. Nós não devemos ser modelos para ninguém. Nós somos bandidos.”.

Pagando pelos crimes do Cartel de Medellín

Após mais de uma década de completa lealdade ao maior narcotraficante da Colômbia, Popeye se entregou à polícia em 1991, junto de Escobar, quando previa a derrocada do Cartel. Entretanto, escaparam em julho de 92, acompanhados de vários outros assassinos do presídio La Catedral.

Dois meses depois, Popeye se entregaria novamente e, dessa vez, passou 23 anos encarcerado – o que corresponde, na verdade, a apenas 60% de sua pena. Em 2014, conseguiu direito à condicional e John Vásquez foi solto este ano por “bom comportamento” e por colaborar com a Justiça colombiana.

O sicário ressocializado: escritor e youtuber

Hoje, Popeye se diz arrependido da sua trajetória sanguinária. Escreveu, em 2005, o livro “Sobrevivendo a Pablo Escobar”, no qual conta toda sua história ao lado e a mando d’El Patron do narcotráfico.

Popeye também tem um site chamado “Popeye Arrependito” e um canal no YouTube com o mesmo nome, em que conta suas várias histórias de assassinato, aventuras e organizações criminosas em que esteve envolvido durante o Cartel colombiano. Seu canal tem quase 120 mil inscritos e mais de 9,5 milhões de visualizações nos vídeos.

Os vídeos de Popeye – que ele diz fazer para se “redimir” perante à sociedade – colecionam admiradores e seguidores e encontram, inclusive, dezenas de mensagens de apoio. Entretanto, também encontram repúdio, especialmente da parte dos familiares de suas milhares de vítimas. #Jhon Jairo