No último dia 6 de novembro, um leilão pouco convencional do ponto de vista das peças e artigos à disposição de compradores e interessados, agitou um acanhado lugar situado em Paris, França.

Quem tivesse a curiosidade ou a excentricidade de adquirir algum dos quase dois mil objetos do Museu do Erotismo, teria que, no mínimo, dar explicações em casa sobre o porquê de tal compra.

Isto não é mentira, não: o inusitado acervo foi posto à venda na capital francesa e o lugar que acolhia as “originais” peças, orgulhava-se até então de ser o único museu dedicado ao erotismo e aos “prazeres carnais”.

O sucesso do leilão traduz-se nas cifras arrecadadas: cerca de 450 mil euros - ou R$ 1,6 milhão - alimentaram as caixas registradoras, de acordo com o leiloeiro oficial do evento, a Cornette de Saint Cyr.

No entanto, qual foi a origem de se criar ou fundar um local que narrasse as mais variadas formas, apetrechos e equipamentos criados ao longo da história da humanidade criadas para fins eróticos? Veio de dois amigos que se chamam Jo Khalifa e Alain Plumey - este último, um ex-ator pornô.

O museu abriu as portas em 1998, no bairro parisiense de Pigalle, conhecido reduto boêmio. Ambos confessam que não tinham a ideia de fazer um espaço de temática erótica, mas admitiam um certo fascínio por esse assunto da psique humana.

Aliando à paixão por viagens, os dois resolveram correr o mundo em busca de objetos, digamos, “pouco usuais” e, por trinta anos, adquiriram uma coleção que atraía milhares de visitantes todos os anos. Nessa pesquisa e busca, ambos recolheram material que abrange #Arte popular, sacra e contemporânea. Em uma das andanças, perceberam que, em certas localidades da Ásia, o erotismo é encarado como uma filosofia de vida. Tanto é que boa parte da coleção do museu procedeu dessas regiões asiáticas.

O fim desse estabelecimento comercial e exótico aconteceu porque o proprietário do imóvel não quis mais renovar o contrato de locação e os donos do museu não tiveram outra opção de lugar que abrigasse o acervo.

Já com relação ao leilão, a procura foi grande e os lotes de preço mínimo disponíveis ao público, não raro, foram superados: um baixo-relevo do artista espanhol Salvador Dalí, cuja estimativa inicial de 2 mil euros foi facilmente ultrapassada; um cliente a adquiriu por 20.600 euros. Outro exemplo foi um quadro do desenhista francês Alex Varenne, o qual fez uma versão bem pessoal da “Monalisa” sem vestido da metade para cima. Vendeu-se por 13.500 euros.

Existem duas curiosidades que atestam como o erotismo tem espaço e gente que se interessa pelo assunto: o primeiro deles é relativo à quantidade de pessoas comparecendo ao leilão de Paris. Quinhentas no evento ao vivo e o mesmo número registrado acompanhando pela Internet.

A outra curiosidade refere-se aos estabelecimentos dedicados a essa temática polêmica e integrante da personalidade: pode-se ter fechado o museu de Paris, mas existem certamente outros lugares que expõem e disponibilizam seus acervos eróticos – no bom sentido da palavra - como Nova York (Estados Unidos), Amsterdã (Holanda), Lima (Peru) e Barcelona (Espanha). #sexualidade #Comportamento