Desde que o mundo é mundo – e o homem é homem e a mulher, mulher, pode-se acrescentar - que os homens se sentem assombrados pelo fantasma da #traição feminina, que já inspirou poemas e canções (Você sabe o que é ter um amor, meu senhor/E por ele quase morrer/E depois encontrá-lo em um braço/Que nem um pedaço do seu pode ser?), lendas (a da Guerra de Troia, provocada por Helena ter trocado seu marido pelo intrépido Páris, por exemplo) e já levou a mortes célebres, como a do escritor brasileiro Euclides da Cunha, que tentou matar Dilermando de Assis, o amante da mulher, e acabou morto por ele – anos depois, Euclides da Cunha Filho tentou vingar o pai e matar Dilermando, mas também caiu morto por este.

Em parte, a ameaça pode ter origem biológica. Um estudo produzido por cientistas da Universidade do Texas e da Universidade Estadual da Califórnia propõe que as mulheres foram programadas pelo processo evolutivo para trair. Segundo David Buss, professor de psicologia evolutiva na universidade texana e um dos autores da pesquisa, os casos permitiam às mulheres primitivas ter um parceiro-substituto disponível para o caso de seu parceiro principal desaparecer, morrer ou perder valor como parceiro. Além disso, acrescenta ele, os casos forneciam à mulher a oportunidade de analisar potenciais parceiros-substitutos de perto e obter informações sobre a qualidade do parceiro – inteligência, estabilidade emocional, generosidade, etc. E que poderiam ser difíceis de obter à distância.

Quanto aos homens que traem, diz o estudo, seu comportamento também possui uma possível explicação evolutiva, já proposta e discutida por outros cientistas: mantendo relacionamentos com diferentes mulheres, às vezes simultaneamente, ele aumenta suas chances de engravidar uma parceira e transmitir seus genes para descendentes. Se essa estratégia for bem-sucedida, ela gerará descendentes, que poderão ser geneticamente inclinados a repetir o comportamento do pai.

É importante ressaltar, entretanto que os seres humanos são animais culturais, criadores de códigos morais e capazes de elaborar expectativas sociais – e reagir a elas. Assim sendo, embora a inclinação para a traição sexual possa ter origens biológicas e ter sido outrora favorecida pelo processo evolutivo, ela é contrabalançada em parte ao menos pelas regras de conduta criadas pelas sociedades humanas — e introjetadas pelos indivíduos -– que tendem a rejeitar esse comportamento. Em suma, como em tudo mais, as realidades biológicas a que está submetido o animal humano e que ajudaram a moldá-lo e a realidade cultural que ele cria interagem, dando margem para que os indivíduos façam escolhas. #sexo #Curiosidade