Se nem a elegantíssima Kate Middleton, duquesa de Cambridge, esposa do Príncipe William, segundo na linha de sucessão do Trono do Reino Unido, consegue evitar roer as unhas em público (ainda é melhor do que Henry Kissinger: o ex-todo-poderoso da política externa dos Estados Unidos, que arquitetou o estabelecimento de relações diplomáticas com a República Popular da China e a saída dos Estados Unidos do atoleiro da Guerra do Vietnã, já foi pego enfiando o dedo no nariz) que chances temos nós, eu e você, você e eu?

Afinal, por que roemos as #unhas? A ciência ainda não tem uma explicação definitiva para o hábito, mas algumas pistas estão sendo seguidas pelos pesquisadores.

Segundo explicou a doutora Tracy Foose, professora associada de Psicologia na Universidade da Califórnia, São Francisco, ela própria uma roedora de unhas confessa, estudos com animais sugerem que #roer as unhas é uma fonte de prazer (o que bate com a experiência pessoal da doutora com o hábito): ratos que receberam substâncias que diminuem a sensação de dor, as endorfinas, se dedicam menos a atividades relacionadas ao cuidado com seu corpo (roer as próprias unhas é um elemento desse conjunto de atividades nos seres humanos), e ratos que receberam substâncias que bloqueiam as endorfinas se dedicam mais a essas atividades.

Uma conclusão possível é que essas atividades são agradáveis para os ratos, que as usam como uma fonte de prazer e bem-estar. Isso poderia ajudar a explicar por que humanos tendem a roer as unhas quando engajados em tarefas difíceis ou quando colocados em situações estressantes: roer as unhas nos conforta (a quem interessar possa, a duquesa, no momento em que foi pega roendo as nobres unhas, estava torcendo pelo tenista britânico Andy Murray, que jogava pelas quartas-de-final nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro realizados neste ano contra o espanhol Nicolas Almagro – valeu a aflição: Murray derrotou o adversário e acabou se tornando o primeiro tenista a conseguir medalhas de ouro em torneio de simples nos Jogos Olímpicos e se tornou neste ano o Número 1 do mundo).

Na verdade, pesquisa publicada no ano passado no Jornal de Terapia Comportamental e Psiquiatria Experimental apresenta uma descoberta que reforça essa ideia: roedores de unha tendem a ser perfeccionistas, que ficam irritados quando as coisas não saem como querem e ficam frustrados quando estão ociosos – roer as unhas seria uma estratégia para diminuir seu desconforto, explica o doutor Kieron O'Connor, professor de psiquiatria da Universidade de Montreal, no Canadá.

Shari Lipner, professora de dermatologia na Faculdade Médica Weill Cornell, na cidade de Nova Iorque, diz que há indícios também que roedores de unha têm propensão genética ao hábito. Um terço dos roedores de unhas contumazes dizem ter um parente com o mesmo hábito. Além disso, se um gêmeo idêntico tem o hábito, pesquisas indicam, é muito provável que o(s) outro(s) compartilhe(m) dele. #Curiosidade