Um ano acaba e outro adentra. É assim o ciclo da vida, do mundo, dos tempos. E com isso sempre vêm novas esperanças, novos sonhos, novos desejos, mas nunca mudam os costumes. Diz-se que, para que o ano vindouro seja de muita sorte, deve-se realizar simpatias, como comer lentilhas, evitar comer aves (como frango ou peru, pois ciscam para trás, representando retrocesso), pular sete ondas do mar, colocar barquinhos com oferendas no mar e vestir-se de branco. Estas três últimas são de caráter especial, uma vez que são as mais famosas. Mas você sabe de onde vêm estas superstições ou crenças? Sabe o porquê de se pular sete ondas, de colocar uma oferenda no seio do mar ou de se vestir todo de branco?

Pular sete ondas de Yemanjá tornou-se uma tradição de fim de ano no Brasil

O Réveillon é bastante especial, não apenas por representar uma transição, mas principal e especialmente por destacar as religiões que mais sofrem preconceito no Brasil: as de matriz africana.

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Sim, é uma época especial porque enfoca, dá brilho e valor àquilo que muitos menosprezam o ano inteiro. Mas a beleza não reside apenas neste fato. Essa comemoração revela a importância e a força dessas religiões, particularmente do Candomblé e da Umbanda. Muitos consideram as #religiões de matriz africana algo profano, do mal. Mas se enganam profundamente. Assim como qualquer religião, elas são dotadas de conhecimentos, de ritos e rituais, de fé e de aspectos teológicos muito próprios e bem determinados que, se estudados a fundo, demonstram a sua grandeza, beleza e verdade.

As religiões de matriz africana influenciaram as principais práticas dessa época

Pois bem, pular sete ondas do mar, direcionar oferendas a Yemanjá e vestir-se de branco são práticas provenientes das religiões de matriz africana.

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Quando se pulam as sete ondas, ativa-se a energia da Orixá Yemanjá (Candomblé Keto e Umbanda) ou Kaiala (Candomblé Bantu), regente das águas salgadas, dona dos movimentos das águas. O sete é um número místico, bem significativo no âmbito das religiões afro-brasileiras. Assim, pular sete ondas de Yemanjá abre os seus caminhos e traz à sua vida prosperidade e sorte. Os povos africanos tinham o costume de se vestir de branco no final do ano, a fim de representar a paz e a purificação espiritual. Tal prática caiu no gosto da população em geral e hoje faz parte da tradição brasileira, bem como as oferendas para Yemanjá em barquinhos ou das mais variadas formas no mar (uma prática muito pouco sustentável e que felizmente está sendo substituída por opções mais sustentáveis).

Portando, mesmo quem tem alguma resistência quanto às religiões afro-brasileiras, acaba vivenciando de uma forma bastante bonita um pouco da realidade dessas religiões no Ano Novo. E que estas práticas continuem trazendo muita sorte a todos e engrandecendo cada vez mais as religiões de matriz africana. #Réveillon #yemanja