Muitos dizem que os opostos se atraem. É possível que as pessoas se encantem por outras que possuem características de personalidade que elas não têm e gostaria de ter. A minha dúvida é se numa relação entre pessoas tão diferentes é possível uma vida a dois satisfatória.

O invejoso admira o invejado, desejaria estar em seu lugar, ser como ele. O pior é quando o invejoso, não suportando a sua própria inveja, passa a depreciar no outro, justamente os aspectos que gostaria de possuir. Ou então, o que também ocorre com frequência, sutilmente sabotar as realizações do parceiro, numa tentativa desesperada de diminuir seu sentimento de inferioridade.

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O declínio do machão

Até um tempo atrás, os papeis sociais, masculino e feminino, eram claramente definidos. As mulheres se confortavam em apenas expressar características de personalidade que lhe eram atribuídas: meiguice, gentileza, fragilidade, indecisão. Ocultando quaisquer outras que estivesse ligado à coragem, força e decisão, elas se mutilavam. Sabiam que seriam repudiadas.

Assim, valorizavam homens também mutilados, isso é, os que só expressavam uma parte de si: força, agressão, coragem, desafio, poder. Acontece que, a partir daí, as mulheres passaram a se sentir no direito de se mostrar por inteiro. Podiam ser fracas, mas também fortes, dóceis e agressivas, indecisas e decididas, medrosas e corajosas, dependendo do momento e da circunstâncias.

O caminho natural foi desejar se relacionar com homens que pudessem ser inteiros também, que assim como elas não mais precisassem reprimir vários aspectos da personalidade.

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Alívio na separação

Após uma separação, o alivio é maior do que o sofrimento e pode haver uma forte sensação de estar renascendo se havia qualquer tipo de opressão no casamento; se na relação que acabou já não havia mais desejo; se há perspectiva de uma vida social interessante, pelo círculo de amizade, se existe liberdade sexual para novas experiências e se o fato de estar só não for sentindo como solidão.

Nas próximas décadas

Os que não acreditam na possibilidade de, daqui a algumas décadas, a maioria das pessoas preferir ter parceiros múltiplos, em vez de se fechar numa relação a dois, basta visitar as décadas de 50/60. Se alguém dissesse, naquela época, que um tempo depois seria natural as moças não casarem mais virgens, seria taxado de louco. Diriam que a sociedade não estava preparada para isso.

A virgindade era pré-condição para o casamento. O mesmo ocorria com a separação, que era vista como uma tragédia. Quem poderia admitir que algumas décadas depois ela se tornaria uma prática tão habitual? #sexualidade #Relacionamento #sexo