A suspeita de que há uma estreita relação entre alimentação e desempenho na cama - ou onde quer que aconteça a conjunção carnal - é velha. Além das crenças populares sobre a ação afrodisíaca deste ou daquele alimento, ninguém menos do que William Shakespeare escreveu:

"It provokes the desire, but it takes away the performance" ("Isso [beber] atiça o desejo, mas prejudica o desempenho"),em sua peça MacBeth (Ato 2, Cena 3).

Enfim, há, segundo os especialistas, certa verdade nessas crenças, então, se tiver esperanças de "algo mais" depois do jantar, pense bem no que (e quanto) vai comer.

O organismo, após refeição, desvia energia para o processo de digestão, deixando o corpo em marcha lenta.

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Além disso, dependendo da refeição que se fez, há efeitos colaterais como flatulência, arrotos, dores de estômago e outras consequências nada eróticas.

Segundo Maria Flávia Sgavioli, nutricionista, quando se come muito, a digestão é prejudicada, o que, por sua vez, introduz um problena no funcionamento desta (geralmente) bem-azeitada máquina que é o organismo. Assim sendo, a primeira recomendação (para qualquer refeição, mas principalmente se esperar algo mais) é: não se empanturre, coma o bastante para saciar a fome, mas não passe disso. A quantidade certa varia, porém, de pessoa para pessoa, dependendo do metabolismo.

Não só a quantidade, o tipo dos alimentos faz diferença. Frituras, carne vermelha e massas, por exemplo, devem ser evitadas antes das relações sexuais. Se quiser, pense neles como "antiafrodisíacos" que roubam um pouco da disposição sexual.

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Recomenda-se salada e uma carne branca magra, frango ou peixe. Quem achar isso prosaico demais ou não romântico o bastante, duas opções são as cozinhas mexicana e tailandesa, com seus pratos condimentados, que tendem a aumentar a libido.

Sobremesas calóricas são más ideias, especialmente aquelas delícias cheias de açúcar, pois estas tendem a deixar quem as come sonolento e dificulta a realização de movimentos rápidos e enérgicos. Explica a nutricionista Gabriela Cilla: “É a chamada hipoglicemia de rebote, que acontece após o alto consumo de açúcar". As frutas são uma opção melhor de sobremesa pré-relação, outra opção interessante é o chocolate amargo, que, por estimular a produção de serotonina (substância apelidada de "neurotransmissor do prazer") pode até tornar o #sexo mais prazeroso.

Shakespeare estava certo em suas duas afirmações. A bebida alcoólica realmente relaxa, diminui inibição e ajuda os parceiros a se soltarem durante o ato sexual. Uma taça de vinho - supondo que vocês tenham como evitar dirigir e se acidentar ou se encrencar em uma blitz - antes do sexo é aceitável e, na verdade, segundo Luiz Fernando Carvalho, ginecologista especializado em reprodução humana do Hospital Sírio-Libanês, a longo prazo, esta tacinha de vinho, pode favorecer o embrião gerado, graças a sua ação antioxidante.

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Apesar dos benefícios do vinho, apontados acima, bebidas destiladas, em quantidades moderadas, são preferíveis. Ponto para nossa aguardente e caipirinha. A cervejinha, além de ser fermentada, contém lúpulo, que, segundo o urologista Thiago Ferreira, diminui a quantidade de testosterona e, consequentemente, afeta a libido. Consumir com exagero qualquer bebida alcoólica prejudica a lubrificação vaginal e a ereção, tornando as relações sexuais desconfortáveis ou mesmo impossíveis - "prejudicando o desempenho", como escreveu o bardo.