Diariamente em todo o país nos deparamos com grupos criminosos e facções impondo o medo através de violência ou ainda impondo regras de conduta. Desafiam a lei e o Estado. Em muitos bairros impõem toque de recolher, ditam regras e até mesmo demarcam áreas onde as pessoas poderão circular, bem como os horários. Em algumas localidades de Salvador, os traficantes impõem que cães não deve ficar soltos após às 22hs (segundo fontes, para não atrapalhar os traficantes na hora da fuga já que os cães podem ficar latindo ou mesmo avançar sobre eles na hora de correr). Nas áreas dominadas por uma determinada facção, que utiliza o lema “Tudo 3”, os visitantes do bairro que estiverem de carro ou moto, à noite deverão piscar o farol 3 vezes ou buzinar 3 vezes em reverência à facção local.

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Se buzinar ou piscar 2 vezes, estarão fazendo reverência à facção rival que utiliza a expressão “Tudo 2”. Esta atitude poderá ser considerada uma afronta e pode haver retaliações. Em certos bairros há muros com pichações da facção que servem de alerta para quem entra na localidade.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), lançou uma Cartilha de Orientação Policial – Linguagens Simbólicas Do Crime, em 2016, onde são apresentadas as tatuagens utilizadas pelos membros das principais facções da Bahia e algumas tatuagens que podem estar associadas à prática de crimes. Além das tatuagens, o material apresenta os diversos gestos utilizados pelos membros destas organizações como forma de identificação e as pichações utilizadas por estes grupos (que estão sendo encontradas em diversos bairros de Salvador e que tem a finalidade de demarcar os territórios estabelecendo os seus limites, bem como demonstração de força e como forma de intimidar os membros de facções rivais).

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A SSP esclarece que as informações disponibilizadas advêm da experiência de mais de 12 anos de pesquisas, realizadas com coletas de dados em delegacias, presídios, acervo digital enviado por policiais, banco de dados de outras corporações policiais e de um conjunto de sinais analisados em indivíduos geralmente “reincidentes” em diversos crimes, entre os mais comuns roubo, homicídio, latrocínio e tráfico de drogas. Mas adverte que nem todas as pessoas tatuadas possuem envolvimento com a prática de crimes, mas uma parcela significativa dos envolvidos com o crime possui tatuagens específicas. Diz ainda que o objetivo do trabalho não é discriminar pessoas que possuam tatuagens, pois seria discriminar o próprio ser humano que ao longo de sua história utilizou a #Tatuagem como forma de expressão, mas apenas demonstrar que certas tatuagens encontradas em alguns indivíduos podem ser fortes indícios de envolvimento com a prática de crimes e que a possível associação jamais poderá ser feita baseada em uma única evidência, mas sim em um conjunto de dados e informações.

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Cruzamento de dados é fundamental e ajuda a diminuir a margem de erros e, consequentemente, ajuda a não discriminar desnecessariamente o cidadão de bem. Salienta ainda que este tipo de trabalho já é utilizado por diversas unidades policiais e de inteligência em diversos países do mundo. A SSP reforça que os dados disponibilizados na referida Cartilha poderão servir para que as instituições policiais de todo o Brasil possam ter maiores informações que permitam qualificar a ação do Estado frente ao fenômeno da criminalidade, permitindo o mapeamento da prevalência de grupos criminais em uma determinada região, como também servir de orientação aos pais, professores e todos os demais segmentos da sociedade civil organizada. Reforça que as medidas de inclusão social e humanitária podem gerar a diminuição da desigualdade e do desemprego, e que o cerne da ação governamental para a resolução desta problemática deve estar focado na participação cidadã, valorização da educação, dando ênfase na ressocialização do criminoso. #tatuagemcriminal #tatuagemdecadeia