A maconha, você sabe, tem seus devotos, entusiastas de seus efeitos psicológicos, alguns dispostos a enfrentar a lei para conseguir um "barato" (as consequências variam de lugar para lugar e mudam com o tempo) não é novidade. Que a ciência vê na "erva" pelo menos certo valor medicinal, que talvez possa ser melhor aproveitado e estudado com mais profundidade, também não é novidade. Você já sabe que há quem veja na droga uma porta de entrada para o consumo de drogas mais pesadas, além de um destruidor de carreiras, famílias e caráter - um risco especialmente para os jovens.

Talvez você não saiba é que um outro uso da maconha está causando polvorosa nas redes sociais do Brasil.

Publicidade
Publicidade

A marca Foria disponibiliza (só nos Estados Unidos, por enquanto) um #Lubrificante vaginal "feito à mão da flor fêmea da maconha - um dos mais antigos afrodisíacos conhecidos no mundo", segundo o fabricante do produto. Entre os efeitos sugeridos - embora o efeito varie de mulher para mulher-, estão gozos de mais de quinze minutos, melhor comunicação do casal e, claro, melhor lubrificação vaginal. O fabricante avisa, porém, que as afirmações de sua propaganda não foram ainda verificadas pela FDA, órgão responsável pela análise de remédios, cosméticos, alimentos e outros produtos para garantir que não façam mal à saúde humana e não sejam divulgados de forma enganosa.

Para contornar o fato de o produto não ser vendido no Brasil, algumas jovens descobriram como fazer uma versão caseira, comercializada sorrateiramente nas redes sociais.

Publicidade

Os ginecologistas ouvidos pelo portal UOL sobre a novidade estão divididos. Élvio Floresti Júnior acredita que, devido à enorme permeabilidade da mucosa vaginal, que permite a substâncias colocadas na vagina alcançar a corrente sanguínea, o produto pode ter efeito parecido com - embora, por ser lançado direto no sangue, mais imediato do que - o da maconha fumada recreativamente sobre as usuárias, promovendo uma certa dose de relaxamento e bem-estar com efeitos positivos na relação. Porém, frisa o médico, os efeitos dependem de como cada organismo reage à droga e que, de modo geral, não dá para esperar milagres do produto.

Albertina Duarte, coordenadora do Programa Adolescente da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e professora na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, enfatiza que não há comprovação científica dos benefícios de aplicar o lubrificante de maconha - ou qualquer outro produto - para a intensificação do gozo feminino. Segundo explica a médica, o clímax sexual na mulher é um fenômeno complexo que envolve regiões do corpo todo.

Publicidade

Os especialistas apontam ainda riscos desse tipo de aplicação - mais pronunciados no caso da versão caseira do que no da versão industrializada, que usa apenas o THC, princípio ativa da maconha -, por exemplo, o uso do produto em qualquer de sus versões pode alterar o pH vaginal, aumentando o risco de proliferação de bactérias nocivas. Os médicos recomendam precaução e ceticismo na busca de modos de "apimentar" a relação e intensificar o prazer. Não existe fórmula - muito menos fórmula química - para melhorar a relação.

De duas mulheres que usaram a versão caseira ouvidas pelo UOL, uma disse que sentiu mais prazer, demorou mais para chegar ao gozo e este durou mais. A outra disse que, como lubrificante, serviu bem, mas não notou nenhuma outra diferença. Ambas querem tentar outras versões do produto. #sexo