As pessoas não levam furacões com nomes femininos tão a sério e as consequências são mortais, afirma um estudo publicado na Proceedings of National Academy of Sciences.

Pesquisadores da Universidade de Illinois e da Universidade do Estado da Arizona examinaram seis décadas de furacões de acordo com seu “gênero” (de 1950 a 2012). Os mais desastrosos furacões com nomes femininos resultaram em 45 mortes e os de nome masculino em 23 mortes (o estudo excluiu Katrina e Audrey).

Sharon Shavitt, professora de marketing da Universidade de Illinois, diz que o resultado tem “sexismo implícito”, que é o ato de se tomar decisões baseadas no gênero.

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Nova pesquisa

O sexismo apareceu novamente em outra pesquisa. Um questionário foi feito para 346 pessoas e a grande maioria das respostas previa que os furacões “masculinos” seriam mais intensos do que os “femininos” ou que não seria necessário buscar abrigo quando o nome do furacão na pesquisa era o de uma mulher.

“As pessoas imaginam que um furacão ‘feminino’ não é tão maléfico”, diz Shavitt. “O estereótipo que está nas entrelinhas desses julgamentos são sutis e não necessariamente são hostis em relação às mulheres – eles podem acontecer apenas pelo fato de que as pessoas veem as mulheres como mais calmas e menos agressivas do que os homens.”, destacou.

A partir desses estudos, foi pedido que a comunidade meteorológica reconsiderasse a prática de nomear tempestades.

Polêmica

Bill Read, antigo diretor do National Hurricane Center (Centro Nacional de Furacões), de 2008 a 2012, não está convencido de que o gênero da tempestade é um grande fator nas fatalidades, como os estudos implicam.

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“Eu não estou preparado para mudar o sistema de nomear baseado em um estudo”, disse Marshall Shepherd, presidente da Sociedade Americana de Metereologia.

Essa pesquisa gerou muita controvérsia e discussão a respeito do método para nomear os furacões, todavia, a prática até o momento continua.

“Minha esperança é que o diálogo sobre a necessidade de mais pesquisas sobre as percepções da população sobre o risco dos furacões continue e ajude-nos a reduzir os danos”, conclui Julie Demuth, uma cientista do National Center for Atmospheric research.

E você? Acredita que os nomes “masculinos” dados a determinados furacões tem mais força do que os “femininos”? #Desastres #Ciência