Um dos cânones da social-democracia, surgida na Europa e no começo inspirada pela crítica marxista da sociedade então existente, é a reforma (não a destruição, como queriam os revolucionários inspirados na revolução bolchevique, vitoriosa na Rússia) do sistema capitalista, usando-se os recursos do estado para prover serviços públicos à população e criar uma "rede de segurança" que ampare as pessoas em dificuldade.

O Partido Verde da Alemanha parece ter resolvido ir um pouco mais longe: o partido propõe que o Estado subsidie o serviço de prostitutas para os cidadãos com deficiências que não forem capazes de conseguir #sexo não-pago.

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Pelo menos é o que se depreende do que Elisabeth Scharfenberg, membro do partido e sua porta-voz para políticas para a saúde e para idosos, disse ao jornal alemão Welt am Sonntag (Mundo no Domingo). A política germânica disse imaginar um sistema em que médicos forneceriam certificados afirmando que o paciente não pode conseguir satisfação de suas necessidades sexuais de outra forma e não tem condições de pagar, ele próprio, por uma profissional do sexo.

A prostituição é legalizada no país europeu e tem relativamente pouco estigma associado a si. Em várias cidades alemãs já há bordéis cujas trabalhadoras prestam "assistência sexual" a pessoas deficientes, pacientes com demência e outros, com técnicas apropriadas para lhes dar prazer. Não existe, porém, lei que permita ao cliente destes serviços apresentar os gastos como despesas médicas.

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A ideia já divide opiniões. Vanessa del Rae, sex coach (uma professora de técnicas sexuais) e autora, trabalhou por anos como enfermeira e depois assumiu a direção de um lar par idoso. Ela explicou ao jornal britânico Daily Mail que os últimos anos viram o surgimento de uma classe de acompanhantes sexuais treinados para atender às necessidades dos idosos ou das idosas e familiarizados com as deficiências, timidez e vergonha das pessoas dessa idade e acrescentou que os funcionários dos lares para idosos odeiam quando pegam os moradores acariciando um ao outro ou se masturbando, o que quer dizer que lhes sobram poucas opções de satisfação sexual. O acadêmico Wilhelm Frieling-Sonnenberg, um especialista em cuidados médicos também ouvido pelo Daily Mail, diz que a proposta despreza a dignidade humana e é apenas um jeito de apaziguar pacientes difíceis.