Quando se trata da origem dos contos de fadas, os irmãos Grimm do século XIX recebem muito do crédito. Porém, poucos estudiosos acreditam que os Grimms foram realmente responsáveis ​​por criar os contos. Um estudo, que trata essas fábulas como uma espécie em evolução, descobriu que algumas podem ter se originado há mais de 6000 anos.

A base para o estudo, publicado na Royal Society Open Science, em 2016, é um inventário online de mais de 2000 histórias distintas de diferentes culturas indo-europeias conhecidas como o Índice Aarne-Thompson-Uther. Embora nem todos os pesquisadores concordem com as especificidades, essas histórias vieram das culturas indo-europeias modernas (abrangendo toda a Europa e grande parte da Ásia), descendentes do povo Proto-Indo-Europeu, que viveu durante o período Neolítico na Europa Oriental.

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Grande parte da linguagem moderna do mundo pode ter evoluído a partir deles.

Para realizar o estudo, Jamshid Tehrani, antropólogo da Universidade de Durham, no Reino Unido, e colegas examinaram o inventário. Eles limitaram sua análise a contos que continham elementos mágicos e sobrenaturais, porque essa categoria continha quase todos os contos famosos que as pessoas conhecem. Isso reduziu o tamanho da amostra para 275 histórias, incluindo clássicos como João e Maria e A Bela e a Fera.

Rastrear esses contos através do tempo não é uma tarefa fácil. Há poucos registros históricos e muitas das fábulas começaram como histórias orais, que não deixaram nenhuma versão escrita. Assim, os pesquisadores usaram métodos estatísticos semelhantes aos empregados pelos biólogos para rastrear linhagens de espécies de volta, através da árvore de ramificação da evolução, baseada apenas em sequências de DNA modernas.

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Os contos de fadas são transmitidos através da linguagem e os ramos da árvore da linguagem indo-europeia precisam ser bem definidos, para que os cientistas possam rastrear a história de um conto e, assim, voltar no tempo. Se as línguas eslavas e as línguas celtas tivessem uma versão de João e o Pé de Feijão, por exemplo, havia chances de que a história pudesse ser rastreada até o "último antepassado comum". Esse seria o ancestral de onde ambas as linhagens se separaram, há pelo menos 6800 anos. A abordagem espelha como um biólogo evolucionário pode concluir que duas espécies vieram de um ancestral comum, se seus genes contêm a mesma mutação não encontrada em outros animais modernos.

Mas não é tão simples assim. Ao contrário dos genes, que são quase que exclusivamente transmitidos "verticalmente" - do pai à prole - contos de fadas também podem se espalhar horizontalmente, quando uma cultura se mistura com outra. Grande parte do estudo dos autores concentra-se em reconhecer e remover contos que parecem ter se espalhado horizontalmente.

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No fim, a equipe ficou com 76 contos de fadas.

Essa abordagem permitiu que os pesquisadores rastreassem certos contos, como O Ferreiro e o Diabo - que conta a história de um ferreiro que faz um acordo com o diabo em troca de uma destreza inabalável - em milhares de anos. Isso significaria que os contos de fadas mais antigos ainda em circulação hoje têm entre 2500 e 6000 anos de idade. Outras histórias parecem ser muito mais jovens, aparecendo pela primeira vez em ramos mais modernos da árvore da linguagem.

Os contos de fadas bem-sucedidos podem persistir porque são "narrativas minimamente contra-intuitivas". Isso significa que todas elas contêm alguns elementos cognitivamente dissonantes - como criaturas fantásticas ou magia -, mas são fáceis de compreender. A Bela e Fera, por exemplo, fala de um homem que foi magicamente transformado em uma criatura horrível, mas também conta uma história simples sobre a família, o romance e sobre como não julgar as pessoas pela aparência.

A fantasia faz com esses contos se destaquem, mas os elementos comuns tornam-os fáceis de entender e lembrar. Essa combinação de estranho, mas não muito estranho, pode ser a chave para a sua persistência através de milênios. #Contos de Fada