Quem acha que conhece mitologia porque assistiu ao filme animado Hércules, da Disney, provavelmente será surpreendido pelos seguintes mitos:

1 - Castração

Segundo a Teogonia, obra do escritor grego Hesíodo, Gea (também chamada de Gaia), deusa da Terra, desprezava seu marido, Urano, deus do céu e divindade mais poderosa, e conspirou com seu filho Urano para depô-lo. A deusa forneceu ao filho uma foice, que ele usou para castrar o pai (e irmão, pois Urano era filho de Gea) quando ele foi dormir com a mulher. Os órgãos sexuais do castrado caíram no mar e uma espuma envolveu-os: dela surgiu Afrodite (aphrós, em grego, é a espuma do mar), a deusa ligada ao sexo e à fertilidade.

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No final do século XV, o pintor Sandro Botticelli representou a cena mitológica no quadro O Nascimento de Vênus, no qual a deusa aparece sobre uma concha logo depois de ter surgido do mar. Trata-se de um dos quadros mais famosos do mundo.

2 - Set e Hórus

Quando o deus Hórus tornou-se rei, seu tio Set não ficou feliz com isso. Set ambicionava o trono e já havia matado seu próprio irmão, o deus Osíris, pai de Hórus.

Para depor o sobrinho, Set atacou-o sexualmente à noite. Na cultura egípcia, como em outras, a prática homossexual ativa era aceita, mas o homossexual passivo (que era associado ao papel feminino no sexo) era desprezado. A mãe de Hórus, Ísis, descobriu, porém, como virar o jogo. Recomendou que o filho colocasse o sêmen do tio na comida preferida deste. Quando Tot, deus da sabedoria e escriba da corte divina que julgou o caso, ordenou que o sêmen de Set saísse do corpo de Hórus, ele saiu do corpo de Set, humilhando-o e frustrando seu plano.

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3 - Fascino, o pênis alado

Fascino era o deus romano adorado como personificação da magia e do poder gerador masculino. Era representado por um falo (ou seja, um pênis), geralmente com asas, e sua proteção era invocada contra a feitiçaria e o mau-olhado.

Santo Agostinho, fazendo uso das obras teológicas do romano Marco Terêncio Varrão, que infelizmente não chegaram aos dias de hoje, escreveu que a imagem fálica do deus era levada anualmente em procissão em uma festa associado ao deus Dionísio para proteger a fertilidade dos campos de feitiçarias. Os generais romanos usavam a imagem do pênis alado como amuleto, colocando-o em seus veículos (carruagens, por exemplo), para protegê-los da inveja. Plínio, o Velho, escritor e naturalista romano, chamava Fascino de "medicus invidiae", isto é, remédio para a inveja (e, consequentemente, para o mau-olhado).

4 - Sangue e sêmen

Um dos centauros, seres com dorso, membros superiores e cabeça humanos e membros inferiores e parte do corpo equinos, tentou violentar Dejanira, mulher do semideus grego Héracles (mais conhecido pelo seu nome romano, Hércules).

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O herói viu e atingiu o centauro, chamado Nesso, com uma flecha envenenada. Antes de morrer, em um último ato de maldade, Nesso convenceu Dejanira de que, se ela misturasse o sangue que jorrava de sua ferida com o semên que ele havia derramado em seu ataque, ela teria uma poção do amor que garantiria que Héracles lhe seria sempre fiel. Ela acreditou e fez o que ele disse.

Certo dia, tendo percebido que o herói estava interessado por outra mulher, ela colocou a suposta poção do amor em uma túnica e enviou-a ao marido. Quando ele a vestiu, ela se grudou ao corpo dele e queimou-lhe a pele, causando-lhe muita dor antes de matá-lo. Nesso alcançara sua vingança póstuma. #Curiosidade