Um décimo dos australianos ouvidos em um estudo feito em 2015 relataram que alguém havia pego imagens suas, com nu ou seminu, e enviado para outra pessoa ou colocado na rede sem permissão. Infelizmente, não há nenhuma boa razão para acreditar que este tenebroso quadro esteja restrito à terra dos cangurus. Na verdade, os diversos casos que têm sido denunciados às autoridades policiais no Brasil são, certamente, indícios de que uma situação similar desenvolveu-se ou está a se desenvolver aqui.

Quanto ao caso australiano, Nicola Henry, professor de direito na Universidade La Trobe, diz que há gente trocando #nudes como se fossem cartões de jogadores de baseball.

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Segundo Julie Inman-Grant, comissária responsável pela proteção virtual das crianças, muitas vezes, as pessoas não têm ideia de que há imagens constrangedoras delas na internet. Ela também deixou claro que estas imagens não desaparecem. Uma vez que escapam do controle daqueles nelas representados, podem aparecer em qualquer lugar.

A regra prática é simples: se algo é constrangedor demais e for parar no quadro de aviso do trabalho ou da escola, é constrangedor demais para ser feito ou armazenado, quanto mais compartilhado. O mundo virtual não está magicamente separado do mundo real. Além dos importantes alertas para tomar cuidado com as imagens constrangedoras, o que se pode fazer é ajudar as pessoas a descobrir se há imagens delas na rede. O melhor meio para uma pessoa saber se alguma imagem em sua posses está na rede é ir ao Google Imagens e clicar no ícone de busca por imagem, selecionar "envie uma imagem" e depois "escolher arquivo" e selecionar a imagem em questão no computador.

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O mecanismo de busca achará a imagem ou imagens parecidas com ela. O problema com este método é de privacidade - os arquivos selecionados para busca são armazenados pelo Google, que pelo menos em teoria não os divulga, apenas os usa para, segundo diz, “aperfeiçoar seus produtos e serviços" (como isso acontece não é revelado).

Achada alguma imagem constrangedora na internet, o caminho a tomar varia de país para país. Contatar os responsáveis pelo site e pedir que tirem do ar a imagem pode ser um primeiro passo. Contatar a polícia, preferencialmente delegacias especializadas em crimes virtuais, é outra possibilidade. Outra alternativa é tentar a via judicial.