A história de Carol e Chedly Mahfoudh é apenas uma das inúmeras outras: casais que se conheceram, apaixonaram-se e criaram um relacionamento, apesar dos obstáculos linguísticos e culturais. "A linguagem, ao delinear uma fronteira que pode ser transgredida, é cheia de potencial romântico", escreve Lauren Collins, da The New Yorker, cujas próprias aventuras no bilinguismo aparecem em seu novo livro When in French: Love in a Second Language, que traz, em igual proporção, memórias humorísticas, história de #amor e exploração da relação entre linguagem e pensamento.

Embora Collins e seu marido francês Olivier tenham passado seus primeiros anos como um casal conversando em inglês, eles não podiam conversar entre si, em sua língua nativa.

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"Nós não possuímos essa taquigrafia fácil, codificando todas as atitudes e suposições, pelas quais algumas pessoas parecem capazes, quase telepaticamente, de se fazerem mutuamente conhecidas", escreve Collins. Depois de uma discussão particularmente complicada, em que cada um deles procura esclarecer o que o outro quer dizer, Olivier reclama: "Falar com você em inglês é como tocar você com luvas".

"Isso realmente cristalizou a distância que eu sempre teria que viver, se eu não aprendesse seu idioma", afirmou Collins, sobre o parceiro, à BBC Culture. "Eu acho que todos nós temos essas intenções e fantasias sobre a aprendizagem de uma língua, mas é uma coisa muito difícil de fazer, a menos que você tenha uma razão ardente real", continua.

Estimulada pelo desejo de encontrar uma conexão mais profunda com seu parceiro, Lauren começou a aprender francês.

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Ela apreende o desafio com entusiasmo - mas aprender uma nova linguagem, ao mergulhar-se em uma cultura "alienígena", tem suas armadilhas (erroneamente dizendo, ao referir-se à mãe de Olivier, que afirmou que ela à luz a jarra de café) e suas frustrações. "Meus esforços em francês me deixam sentindo-me imediatamente inerte e exausta, como se estivesse metida em um lago de água parada", escreve ela.

Trava-línguas

Lauren Collins não está sozinha nessa experiência. "Achei muito frustrante e me lembro de ter a sensação de que minha língua estava machucada, pegando minha língua e minha boca em torno de vogais diferentes", afirma Anna Irvin, que se mudou para Paris em 2011, para morar com seu parceiro francês, Christophe Sigal,

Tanto Anna quanto Christophe descrevem o processo de aprender uma língua como uma contínua discussão e descoberta, que se desenvolveu em conjunto com sua relação, que exigia paciência, confiança e determinação obstinada. Para Anna, significava confiar em Christophe para revelar a importante distinção entre dégoûtant e dégueulasse. Para Christophe era descobrir a diferença entre o inglês "é ridículo" e o ridículo francês.

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E a compreensão do contexto cultural desconhecido de um parceiro adiciona uma camada extra de complexidade à aprendizagem de línguas. "Porque eu sou de uma aldeia no campo no sul da França", diz Christophe, "Não é apenas a linguagem, mas a política é diferente".

Isso também é característico de casamento de Carol e Chedly Mahfoudh, há quase meio século. A negociação de diferenças culturais provou ser um ato de equilíbrio para ambos. "Para nós e qualquer outro casal de um casamento misto, você está tendo que trabalhar muito mais duro o tempo todo para entender a mentalidade", afirma Carol. "Eu nunca estou muito certa se estou chateada com ele porque ele é tunisiano, porque ele é francês, porque ele é um homem ... ou se apenas porque ele é velho!", completa.

Como você poderia esperar, essas dificuldades vêm à tona em discussões entre casais bilíngues. "Esse é o momento em que realmente sai o que você pode e não pode expressar, porque as palavras importam tanto nessa situação", conclui Anna Irvin. #Mundo #Curiosidades