A maioria dos brasileiros, ao puxar pela memória, talvez não se lembre do momento exato em que aprendeu que os argentinos são os nossos maiores rivais no #Futebol e que é bem aceito depreciá-los e provocá-los. Essa oposição é tão disseminada e natural, que se tem a impressão que tal fato não foi transmitindo, mas trata-se de uma configuração padrão de fábrica, que nascemos com essa ideia implantada.

Para historiadores e cientistas políticos, o embrião da disputa remonta aos séculos de colonização da América Latina por portugueses e espanhóis. Os dois impérios travavam contendas pela exploração do Rio da Prata e o conflito de interesse culminou na Guerra da Cisplatina (1825-1828).

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O clima de rivalidade, ao passar dos anos, acabou se tornando um hábito entranhando nas culturas locais chegando ao conhecimento popular por meio de publicidade política ufanista e de viés contrário aos vizinhos. Logo, a rivalidade disseminou-se e encontrou vazão em outras esferas como no campo esportivo.

Porém, com o passar do tempo, esse cenário se modificou e a imagem que se tem do Brasil hoje é mais de admiração, reverência, do que rancor insuperável.

Os argentinos se maravilham com a alegria do brasileiro que contrasta frontalmente com a melancolia que nossos vizinhos julgam caracterizar o seu povo. Impressionam-se com o desenvolvimento industrial do Brasil, as grandes obras de infraestruturas e o protagonismo notório que conquistou nos últimos anos no continente.

Alguns dados que confirmam essa postura

Na festa de casamento, os portenhos instituíram no ato final da cerimônia o que intitulam de “Carnaval Carioca”, festejo embalado por marchinhas do carnaval brasileiro.

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Em um levantamento publicado em 2005, constatou-se uma conclusão que pode chocar a muitos: 93% dos argentinos nutriam simpatia com o ex-presidente Lula, superando a popularidade até no ABC paulista. Dado semelhante, em pesquisa passada, em relação ao ex-presidente Fernando Henrique. Ou seja, os argentinos estimam mais os nossos políticos do que os deles.

Abrangendo o período de 1979 a 2015, de 500 a 1 milhão de argentinos, em média, viajam anualmente para o Brasil. Os destinos preferidos são Rio de Janeiro e Salvador. É a nação estrangeira que mais envia turistas ao país.

E o que determina no campo esportivo que o Brasil perdeu o posto de rivais mais odiados é a preferência dos argentinos quando se enfrentam Brasil e Inglaterra. A maioria torce pela verde e amarela.

Porque os Ingleses ocupam atualmente a zona negra e fervilhante dos corações de nossos vizinhos fronteiriços.

E novamente a política é a grande culpada.

Ao se tornar independente em 1822 e se livrar do domínio espanhol, a jovem nação #Argentina considerou que as ilhas Malvinas também lhe pertencia por estas terem sofrido ocupação espanhola.

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Mas os britânicos afirmam que a região integra a área de controle da coroa desde 1833 quando dominou o arquipélago expulsando as tropas latinas.

O desentendimento ganhou capítulo mais dramático em 1982 quando o governo ditatorial argentino, enfrentando grave crise econômica, resolveu desviar o foco das dificuldades financeiras e inflamar o nacionalismo do povo voltando a reivindicar a posse das ilhas ao invadir o território. Os Britânicos não titubearam e responderam prontamente enviando 100 mil soldados para lidar com os modestos 12 mil soldados do regime autoritário.

O resultado foi uma lavada para os gringos da terra da rainha.

Desde então, o clima de hostilidade quanto aos Ingleses na Argentina se manteve em alta.

Isto explica a adoração para com Diego Armando Maradona. Além de ter sido o jogador excepcional que foi, ganhou uma copa do mundo com uma mãozinha da arbitragem e fazendo o “Gol do Século” adivinha sobre quem? #História