O simpático senhor cujo rosto é estampado nos invólucros dos produtos da companhia de alimentos Quaker é tão icônico e onipresente que havia comunidades no Orkut de gente que dizia ter medo do “velho da Quaker”. A quem interessar possa: é a imagem de um homem vestido à moda tradicional entre os Quakers (ou Quacres), membros de uma religião protestante pacifista fundada na Inglaterra e que se desenvolveu especialmente nas colônias que formariam os Estados Unidos. O fundador da empresa escolheu o nome do empreendimento depois de ler o verbete sobre a religião (que mais formalmente é conhecida como Sociedade dos Amigos) em uma enciclopédia. Atualmente, a empresa afirma que a imagem não representa nenhuma pessoa em especial e foi simplesmente criada por causa da associação dos Quakers a honestidade, pureza e força. Propagandas antigas da companhia nos EUA, porém, dava a entender que se tratava de William Penn.

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Ele foi um filósofo Quaker e fundou a colônia que o rei da Inglaterra batizou de Pensilvânia, hoje um estado americano.

Existe um similar nacional do "velho da Quaker" - na verdade, bem mais bonito. A companhia Rela Gina, cujo nome é uma homenagem à mãe dos irmãos fundadores (Rela era o sobrenome dela, Gina era o apelido), foi fundada na década de 40 do século passado e é líder absoluta no mercado brasileiro de palitos. As caixinhas com os produtos da empresa trazem o rosto sorridente de uma jovem loira. Não é nenhuma fundadora de colônia, nem tampouco uma filósofa.

Trata-se (ou melhor, tratava-se) de uma modelo de 29 anos. Nascida na Polônia, Zofia Burk veio ao Brasil com os pais ainda bem pequena. Poliglota, era uma modelo muito requisitada quando foi chamada para tirar uma foto para a empresa.

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Ela pensava que era para estandes em supermercados, não sabia que se tornaria literalmente a cara da empresa. Além do que considerou um abuso de sua imagem, ela disse, em entrevista à revista Isto É em 2004, que a associação com uma marca específica "queimou" o rosto dela e encerrou sua carreira. Tudo que ela ganhou foi um cachê médio da época (comenta que não foi sequer convidada a visitar a fábrica). Há alguns anos, chegou a pensar em processar a companhia, mas desistiu da ação quando advogados disseram-lhe que ela só tinha cinquenta por cento de chances de ganhar a causa e mover o processo seria caríssimo.

Ela também foi uma das pioneiras do nu no Brasil (embora ressalte que não se tratava de trabalhos vulgares) e "em 1900 e bolinha", como diz, atuou em novelas nas extintas Excelsior e TV Nacional. Depois de deixar a carreira de modelo, chegou a diretora de marketing do setor de seguros da Credicard, função em que se aposentou. Atualmente, aos 70 anos de idade, é sócia do filho em uma agência de turismo. #Curiosidade