Diferentes lugares do globo lidam com a morte de maneira diversa, e os habitantes da região de Tana Toraja, na ilha de Sulawesi, na Indonésia, não poderiam lidar com o fato de maneira mais inusitada. Isso porque os moradores locais, não enterram seus mortos, até que estejam prontos para despedir deles. Enquanto isso os corpos são conservados, e deixados em casa, como se ainda estivessem vivos.

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A cultura que pode parecer estranha para os ocidentais, é milenar e acompanha as pessoas da ilha por muitos anos. Para eles é comum lidar com a morte, porque ela está presente em seu dia-a-dia como se não existisse.

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Apesar de saber que os parentes já faleceram os familiares lidam com o corpo como se ele ainda estivesse vivo. Eles são paramentados, vestidos com roupas coloridas, e colocados em um cômodo da casa, em uma cama também ornamentada com várias homenagens.

Ainda que o corpo esteja em deterioração evidente, os familiares parecem não se importar. Diariamente, as pessoas levam comida, bebida e cigarros aos falecidos e deixam lá para que eles ‘aproveitem’ as oferendas. Além disso, os cadáveres servem como uma espécie de conselheiro, e os parentes entram no quarto para poder conversar e pedir opiniões sobre o cotidiano.

Em uma visita a uma das casas, foi possível ver como funciona a dinâmica, e se impressionar com a naturalidade com que a morte é encarada. Os familiares de Mamak Lisa que abriu as portas de sua residência, falam de seu pai que morreu há doze anos como se ele ainda estivesse presente. E ele realmente está fisicamente, o corpo do idoso encontra-se em um quarto exclusivo para ele, todo ornamentado e cheio de decorações.

O morto é Paulo Cirinda, que faleceu a mais de uma década, mas continua a ser idolatrado pelos familiares, que falam dele e com ele para garantir que ele se sinta ‘confortável’ em sua condição.

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As imagens são impressionantes, e chocam os olhos diante do morto já em estado de decomposição bastante avançado. Tanto assim, que os corpos não podem ser deixados sem companhia, e quando anoitece pelo menos as luzes do quarto são acesas para que eles não sintam medo.

A filha do falecido disse que tem uma enorme ligação emocional e espiritual com o pai, e que é como se ele tivesse ali com ela, para poder dar suporte nos momentos difíceis. A ilha tem cerca de um milhão de habitantes, e a prática é bastante comum no local. O rito de despedida pode durar dias, semanas ou até anos a depender do desejo dos familiares [VIDEO] em manter o morto em casa. Para eles a presença do falecido em casa, ajuda os parentes a superar o luto, e melhoram a compreensão da morte. Para a mulher, é uma dádiva que seu pai ainda esteja presente, e compartilhe com a família os momentos felizes.

#Justiça #Crime