Vídeos virais e manchetes na internet alardeiam casos de pessoas que ficaram "coladas" durante o ato sexual, isto é, o homem não conseguiu retirar o pênis da vagina da mulher. Esse tipo de situação assustadora e cuja veracidade é difícil de verificar pode assustar um bocado as pessoas que pensam em fazer #sexo e se interrogam sobre a possibilidade de sofrer com algo assim e se há como evitar o risco.

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Em animais, como os cães, o fenômeno é bem documentado. Isso se deve à anatomia desses seres. Peggy Root, especialista em reprodução animal, explicou em reportagem da rede BBC que o pênis canino possui um compartimento que se enche de sangue durante o ato sexual e trava o macho no lugar..

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Na verdade, em seres humanos, casos em que o sexo pode levar a ferimentos graves existem embora sejam relativamente incomuns. A fratura peniana, caso em que o revestimento fibroso dos corpos cavernosos do órgão sexual masculino rompe-se durante a ereção, é um doloroso exemplo. Quanto ao casal ficar preso durante o sexo, porém, é um fenômeno que não costuma ocorrer naturalmente, explica o doutor Jairo Bouer, célebre especialista em sexualidade. Embora uma fratura e edema no órgão masculino possam dificultar sua retirada da vagina. E, claro, lembra o médico, se a mulher fechar rápido o zíper (se o casal for surpreendido pela chegada de alguém, por exemplo), o órgão sexual do homem pode ficar preso na calça dela.

O único caso em que os especialistas concordam que o pênis pode ficar naturalmente preso na vagina é causado por uma condição muito rara chamada penis captivus (ou seja, pênis cativo, preso) em que os músculos vaginais contraem-se excessivamente, retendo o pênis ereto.

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Assim que as contrações induzidas pelo gozo param e a vagina relaxa, o pênis consegue se libertar. A situação não causa dor excessiva a nenhum dos dois, a não ser que vão longe demais na tentativa de se desvencilharem precocemente, e sua duração pode variar de uns poucos segundos a uns poucos minutos. A condição é parecida com o vaginismo, fenômeno de contração da vagina que dificulta o sexo, e popularmente associada a ela, mas são fenômenos diferentes, afirma a ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Centro de Apoio e Tratamento do Vaginismo da Universidade Federal de São Paulo. Ela afirma nunca ter visto um casal "grudado" apesar de sua experiência tratando de mulheres que sofrem de vaginismo.

Uma possível explicação para a abundância de vídeos filmados na África supostamente mostrando casais que ficaram "colados" durante a prática do ato sexual são os remédios tradicionais do continente ingeridos às vezes antes do sexo. Tabono Shoko, pesquisador da Universidade de Leiden, localizada na Holanda, estudou o "runyoka", fenômeno ligado a um ritual de cunho mágico que, acreditam seus praticantes, pode fazer o pênis do homem e inchar e um casal ficar preso durante o ato sexual.