Todo mito, dizem, tem um pé na realidade, pois precisa possuir o bastante de verossimilhança para pelo menos fazer com que as pessoas possam acreditar nele. Às vezes, é até o caso de uma #História real que acabou sendo exagerada e deturpada de propósito ou porque alguns elementos fantasiosos vão sendo somados à narrativa e alguns elementos verdadeiros vão sendo descartados. Tudo parece destinado a definhar e se degradar nesse mundo, narrativas talvez não possam mesmo ser uma exceção.

Tendo em vista o que foi dito, talvez não seja de surpreender que a infame Loira do Banheiro, tão conhecida e temida pelos estudantes das escolas brasileiras, talvez tenha realmente existido - de certa forma - e em um estado nada espectral - no começo, pelo menos.

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Não é preciso discutir o que ela é ou as variações do ritual que, dizem, pode invocar sua presença, basta constatar o terror que ela causa nos não poucos que acreditam em sua existência.

Há quem proponha como base real para o mito da #loira do banheiro a história de Maria Augusta de Oliveira, que foi obrigada pelo pai, o Visconde de Guaratinguetá, a casar-se quando tinha apenas catorze anos de idade com um figurão da época.

Por volta dos dezoito anos de idade, Maria Augusta abandonou o marido que lhe foi imposto pelo pai, vendeu suas joias e refugiou-se na Cidade Luz, Paris, onde veio a falecer menos de uma década depois. Suspeita-se que a raiva (hidrofobia) foi a causadora do óbito precoce. A família solicitou que o corpo da moça fosse enviado de volta ao Brasil. O corpo voltou como estipulado, mas antes que o cadáver chegasse à casa da família, as joias da moça e o documento de óbito sumiram - o que torna impossível confirmar a causa da morte de Maria Augusta.

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O corpo foi instalado na casa dos pais em uma redoma de vidro, enquanto era erigida uma sepultura para ela no Cemitério dos Passos em Guaratinguetá, sua cidade natal. Mas, mesmo depois de pronto o local do último descanso de Maria Augusta, a mãe não queria sepultá-la, só consentindo com o enterro depois de ter tido uma série de pesadelos.

Há quem diga que, enquanto o corpo esperava o enterro, a alma de Maria Augusta deixou a redoma, passando a vagar pela casa. Anos depois, a residência foi transformada em uma escola que hoje se chama Escola Estadual Conselheiro Campos Sales, e, reza a lenda, a moça loira, talvez por causa da hidrofobia que a matou, doença que desidrata, frequenta os banheiros, principalmente os femininos, fazendo barulhos estranhos e mexendo nas torneiras em busca de água.

A lenda da escola assombrada fortaleceu-se ainda mais com o incêndio pelo qual o estabelecimento de ensino passou em 1916 e que demandou a reconstrução do local. Há quem diga que foram os professores que usaram a história de Maria Augusta e seu suposto vagar pelos banheiros como um jeito de amedrontar os alunos e inibir prática de matar tempo nos banheiros.

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Depois de algum tempo, a história fantástica acabou conquistando outros colégios e consolidando seu reinado de terror sobre as crianças do país.