O #sexo, claro, não é indispensável para que a pessoa sobreviva. Nisso, ele é bem diferente de fatores como ar, água e comida, por exemplo. Ainda assim, o sexo tem uma presença muito importante na vida de muitas pessoas. Por isso, uma questão que se impõe é a de entender o que acontece com um adulto sem vida sexual ativa. Para esse fim, pode ser extremamente útil dedicar certa atenção a uma pesquisa que foi divulgada pelo periódico científico dedicado a questões sexuais The Journal of Sexual Research.

O estudo, coordenado pela professora de Sociologia Elizabeth Burgess, abrangeu 82 voluntários, incluindo homens e mulheres, todos com mais de 30 anos de idade e virgens ou abstendo-se de praticar relações sexuais há mais de um ano.

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Todos voluntários apresentaram sinais de depressão e baixa autoestima. Sem exceção, todos declararam-se infelizes. Contudo, é preciso ressaltar que nem todas as pessoas que se abstêm do sexo caem em #depressão. Em primeiro lugar, há algumas pessoas, chamadas assexuadas, que não sentem desejo sexual.

Ana Maria Zampieri, sexóloga que atende casais há mais de três décadas, afirma que sempre foi relativamente comum receber em seu consultório pessoas que amam o cônjuge, mas não sentem atração sexual por ele. Além dos assexuados, algumas pessoas abandonam o sexo - ou nunca chegam a se engajar nele - voluntariamente devido a suas convicções morais, religiosas, filosóficas, etc.

Mesmo nesses casos, a abstinência pode ser dura - tenha-se em vista os casos de Santo Agostinho, que, antes de finalmente deixar sua vida dissoluta, chegou a pedir a Deus que lhe concedesse o dom da castidade, "mas não agora” e de tantos padres que abandonaram a Igreja Católica devido ao voto de celibato.

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Ainda assim, por ser uma opção do indivíduo moldada por suas crenças, ela pode ser menos pesada do que uma abstinência imposta pelas circunstâncias.

A sexóloga Rosário Gomes explica que não há nada de errado na abstinência se ela é voluntária: a livre escolha do indivíduo legitima a si mesma. Há, porém, outras causas para a falta do sexo: dificuldade para conhecer novas pessoas ou abordar possíveis parceiros, por exemplo. O sexólogo Júlio Machado Vaz diz que a abstinência involuntária, se for longa, pode deixar a pessoa sexualmente insegura quanto a sua capacidade de agradar um possível parceiro, o que torna ainda mais difícil deixar a abstinência.

O doutor Gerson Lopes, ginecologista, acrescenta que é preciso cuidado para que pessoas não se iludam, tentando justificar para si mesmas a falta de desejo como produto da assexualidade. Pode ser que esta seja a causa e pode ser que não, que a causa seja algum tipo de trauma, por exemplo. O ideal é que o indivíduo que sente pouco desejo passe por uma avaliação psicológica para que se possa ter certeza que a baixa libido não é patológica. #Relacionamento