Às vezes, uma pessoa ou mesmo um rosto simbolizam um conflito ou uma grande mudança social. Durante a Guerra do Vietnã, pelo menos duas fotos chocaram a população americana - e do resto do mundo -, colaborando para minar o apoio à ação americana do Sudeste Asiático. Uma delas foi a de crianças - especialmente uma menina, Kim Phúc, correndo nua - depois de um bombardeio sul-vietnamita com napalm, um líquido inflamável usado em bombardeios incendiários. A outra foto foi a do chefe da Polícia Nacional do Vietnã do Sul se preparando para executar sumariamente um guerrilheiro comunista capturado durante a Ofensiva do Tet, uma das batalhas do conflito.

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Na década de 80, durante a invasão soviética do Afeganistão, a foto tirada em um campo de refugiados de uma adolescente afegã cujos pais tinham morrido durante um ataque soviético foi publicada na revista National Geography e capturou a imaginação do mundo.

A gerra civil na #síria, travada entre as forças rebeldes e as forças do ditador Assad, cuja família, parte da minoria Alauíta, domina o país há décadas, já cobrou um enorme preço em vidas humanas, feridos e refugiados, para não falar em destruição material e prejuízo das atividades culturais e econômicas.

No ano passado, a imagem do garoto #Omar Daqneesh coberto de poeira e sangue em uma ambulância depois de ser resgatado dos escombros do prédio em que morava após um bombardeio na cidade de Aleppo correu o mundo como um símbolo do sofrimento dos civis no conflito que já se arrasta há seis anos.

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Na época, a parte da cidade em que o garoto vivia estava sob controle das forças rebeldes e era alvo dos bombardeios do governo sírio e de seus aliados russos. Em dezembro do ano passado, a cidade foi completamente retomada pelas forças governamentais.

Agora, o garoto Omar reapareceu saudável ao lado de seu pai. Na matéria do canal sírio A-Samaa, tido como apoiador do regime de Assad, por exemplo, o pai deixou claro seu apoio ao regime do líder sírio e criticou aqueles, no país e no exterior, que quiseram usar a imagem de seu filho como arma contra o governo.

Como a Síria é uma ditadura, não se pode descartar a possibilidade do regime ter obrigado a família a aparecer nas matérias e exigido as declarações de apoio como parte da guerra de propaganda. A imprensa internacional não pôde verificar em que condições se deram as declarações de apoio e se elas foram dadas livremente pelo homem.

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