Você já deve ter se deparado com um desses brinquedos: o mais básico possui três pontas arredondadas, formando uma espécie de hélice. Podem girar nos dedos por um período de 2 a 4 minutos, conforme a energia usada para impulsioná-lo. Algumas variações possuem 2 ou 5 pontas, outros são capazes de acender luzes coloridas. Talvez o #spinner, como é chamado este novo brinquedo, que já virou febre entre crianças - e também adultos - no mundo todo, seja uma espécie de ''pião moderno''.

Reza a lenda que o brinquedo, que custa entre 8 e 35 reais em lojas de bairro e de brinquedos, pode ser terapêutico e ajudar a combater a ansiedade, o estresse e até auxiliar crianças com déficit de atenção.

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Mas será que o spinner faz tudo isso mesmo?

A origem do spinner

O ''spinner'', ou também ''fidget spinner'', foi criado em 1993 pela norte-americana Catherine Hettinger. A filha de Catherine, Sarah, sofre de miastenia - uma doença que causa fadiga extrema e afeta os músculos, impossibilitando a maior parte dos movimentos. Catherine criou então um brinquedo com o qual poderia interagir com a filha Sarah. Mas se engana quem pensa que Catherine está enchendo os bolsos de dinheiro neste momento: a patente do brinquedo caducou em 2005, e como Catherine não pode pagar os 1.300 reais que precisava para renová-la, a norte-americana não recebe um centavo sequer com a venda de sua criação.

Ela, no entanto, não parece chateada com isso: ''Fico emocionada que uma criação minha tenha tanto sucesso. Eu nunca pensei em ganhar dinheiro com os spinners'', disse Catherine, em entrevista ao portal norte-americano The Guardian.

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É terapêutico?

A psiquiatra infantil Beatriz Martinez é categórica. O spinner não pode ser vendido como um remédio para transtornos de déficit de atenção!

''Não há evidências científicas de que o spinner possa ser vendido como um brinquedo terapêutico'', disse a psiquiatra ao postal El País.

Para os adultos, afirma-se que o objeto tenha propriedades antiestresse. Também não existe qualquer evidência de que o spinner faça nada além de prender a atenção de crianças e adultos em seu movimento, de modo que a brincadeira pode ser bastante divertida, mas não mostra ter efeitos reabilitadores sobre transtornos mentais e de atenção.

Segundo Álvaro Bilbao, especialista em neuropsicologia, é preciso que os pais tenham o bom senso de entender que não existem remédios ou apetrechos milagrosos para ensinar aos filhos autocontrole, ou capazes de regular o sistema atencional. O neuropsicólogo, porém, frisa que os spinners também não são capazes de causar mal algum.

Atrapalha nos estudos?

Assim como tantos outros brinquedos que já foram banidos de salas de aula, tais como piões, bichinhos virtuais e até mesmo celulares, o spinner também pode distrair as crianças do que está sendo explicado na escola.

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Assim como para os demais brinquedos, vale a regra de que o spinner só deve ser utilizado entre os intervalos das aulas. ''Já confisquei vários'', conta a professora Marta Lozano, que leciona em uma escola em Madri.

''Na minha sala da aula todos temos um spinner'', disse Maria, que está no primeiro ano do fundamental. ''Mas se usamos eles na aula, a professora os confisca'', revelou a garota, que diz que o brinquedo é muito legal porque gira.

Parece que o sucesso dos spinner afinal se deve a sua simplicidade. #2017 #Curiosidades