Wanda Diaz-Merced sempre foi fascinada pelas estrelas. Quando criança, seu sonho era dirigir um ônibus espacial. Suas aulas favoritas em sua escola na cidade de Guarabo, em Porto Rico, eram matemática e ciências. Sua pequena cidade, conta com apenas 45 mil habitantes, é conhecida por suas numerosas escadas; assim como elas, os olhos de Wanda sempre estiveram voltados para o céu.

Mas aos 19 anos, quando cursava a faculdade de Física na Universidade de Porto Rico, Wanda começou a perder a visão devido a complicações da diabetes. Após dez anos, ela estava completamente cega. Mas a vontade de Wanda de estudar os astros era tão grande, que mesmo não podendo mais observá-los, ela arranjou um meio de seguirem frente com sua paixão.

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Utilizando um método batizado de ''sonificação'' - cujo objetivo é captar dados de telescópios e satélites e ''traduzi-los'' em forma de ''música'', Wanda estuda as rajadas de raios gamas que são geradas a partir da explosão de estrelas.

A astrônoma falou sobre sua história de superação ao TED Talks, um circuito de palestras sobre os mais diversos assuntos voltados a motivação e inovação oferecem ao público as mais variadas opções de conhecimento no mundo todo.

Wanda concedeu uma entrevista ao portal UOL, na qual conta um pouco da sua história. Nesta entrevista, a astrônoma disse que agora presta muito mais atenção aos estímulos sonoros, algo que talvez não fizesse antes pois sua visão era, como é na maioria de nós, seu sentido dominante. Por causa disso, Wanda diz que agora costuma perceber sons que as outras pessoas não percebem.

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O método utilizado por Wanda surgiu em parceria com seu mentor nos estudos, Robert Candey, do Centro de Voo Espacial Goddard, na NASA, que segundo a astrônoma, sempre demonstrou interesse em utilizar sons para ''agilizar'' as investigações das bases de dados.

''Ele havia trabalhado com a conversão de dados para sons bem antes de eu conhecê-lo'', conta Wanda. ''Quando cheguei em seu escritório, ele disse que pretendia usar o som para familiarizar pessoas cegas com dados do meio interestelar. Eu disse à ele que eu queria muito mais do que apenas me familiarizar, e sim que queria fazer ciência, mesmo com minha limitação, e neste momento, comecei a pensar em como usar o som para analisar dados astronômicos.''

Wanda disse ainda que o campo da ciência ainda não é inclusivo, uma vez que está pautado em métodos de aprendizagem limitados, e que sua história só servirá como motivação se um dia ela conseguir nivelar o campo da #Astronomia para que outras pessoas com deficiências não passem pelo que ela passou.

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Foi assim que nasceu o projeto AstroSense, voltado a promover inclusão de deficientes visuais na astronomia. #Cegueira #Curiosidades