Geralmente, o incômodo começa com uma voz interna: “Você deveria…” que, acompanhado de um julgamento interno, provoca sensações nada agradáveis como culpa, insuficiência e frustração.

A lista de deveres é imensa: cuidar da #Saúde e da família, estudar ou trabalhar mais, encontrar amigos, fazer atividade física, há sempre uma cobrança envolvida.

Embora a voz venha de dentro, ela não vem do coração e sim da mente, que vive repetindo algo que se iniciou desde a infância, algo como regras necessárias para um bom convívio e que fazia parte do nosso processo educacional.

O ponto é que, ao crescer, essa voz foi internalizada e continua dizendo o que deve e o que não deve fazer, construída a partir de padrões sociais, expectativas alheias e na própria expectativa idealizada de cada um.

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Mas como ela ainda continua a fazer isso?

Segue o raciocínio: o cérebro humano dispõe de cerca de 86 bilhões de neurônios e cada um deles pode formar até 100 trilhões de conexões.

Todos estes circuitos dão a capacidade de realizar façanhas que não se comparam a um computador ou qualquer inteligência artificial já criada.

Mas ele possui uma deficiência que é não conseguir analisar as situações de forma inteiramente racional e, portanto, não avaliar as situações como um todo, identificando todas as variáveis envolvidas no processo.

Sendo assim, a saída que a evolução encontrou foi: mentir. Descartando informações, manipulando raciocínios, inventando coisas, tudo para economizar energia exigida pelos neurônios.

Os truques

Ao confundir os sentidos, o cérebro começa editando a visão. Conforme o dia vai passando, boa parte do tempo é destinado a criar imagens artificiais, que não foram realmente captada pelos olhos e sim, criadas pela mente.

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O olho humano capta imagens com clareza em uma pequena parte chamada fóvea, que tem 1 milímetro de diâmetro e fica no centro da retina. Portanto, eles focam em determinado ponto e depois pulam para outro. Dessa forma, para produzir a imagem real de algo, é preciso que eles estejam o tempo todo se movendo.

O problema é que de um ponto ao outro, o cérebro deixa de receber informação por 0,1 segundo e então, durante este tempo, há um vazio. Este intervalo é preenchido pelas imagens artificiais, que trazem a sensação de movimento contínuo.

Além disso, outro porém é que a informação captada pela visão não é processada imediatamente. Então, enxergar não é ver o que está acontecendo e sim o que está por vir. O caminho até o cérebro leva frações de segundo, tempo suficiente para ele fabricar uma imagem que não é real, inventando a posição de cada coisa daqui a alguns milésimos de segundo.

Para complicar mais ainda as coisas, tarefas complexas como decidir sobre a própria felicidade, é preciso aprofundar em variáveis subjetivas, em que o cérebro acabaria sobrecarregado. Para isso, ele usa atalhos moldados e embutidos pela cultura ao redor e muitas das decisões tomadas se dão através desse piloto automático. #cerebro