O grande foco das eleições presidenciais deste ano no Brasil vai tomar como base um campo minado que faz parte da cultura brasileira desde que o país deu um chute no traseiro, de maneira covarde, no Imperador Pedro II, no famigerado levante político que pôs fim à monarquia no país: a corrupção. Este mal se impregnou com a República dos coronéis, que deu origem aos currais eleitorais e, para não fugir desta esteira, o assunto será polarizado e vai ganhar maiores contornos porque também servirá de munição para os pleitos estaduais envolvendo candidatos a deputado, senadores e governadores.

Os grandes personagens deste embate político serão os partidos que têm atraído os holofotes nos últimos meses, quando o assunto é corrupção.

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Eles vão colocar no centro do fogo cruzado os dois principais candidatos: de um lado a presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição e, do outro, o senador Aécio Neves (PSDB), que tenta derrubar a hegemonia do Partido dos Trabalhadores, desde a ascensão de Lula, aonde já se vão doze anos à frente do Palácio do Planalto.

A direita conservadora e reacionária nunca se conformou com o fato de um operário ter conquistado a Presidência da República, e de ter feito o mais destacado governo desde a era de Juscelino Kubitschek. Foi com Lula que o Brasil passou a ser respeitado no mundo inteiro, e não mais conhecido como o país do futebol e exportador de belas mulheres para serem usadas como objeto sexual. Com Lula, o país passou a ser respeitado como um destino extraordinário para o empreendedorismo, e para investimento em grandes negócios.

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O presidente operário saído da pobreza do interior de Pernambuco ganhou notoriedade no exterior, e mudou a cara da pobreza no Brasil, tirando da linha da miséria cerca de cinquenta e três milhões de brasileiros que viviam na mais completa pobreza. Esta façanha ainda é facilmente comprovada pelos números radiografados, pelos indicadores oficiais e por histórias de melhorias de vida de pessoas que se espalham pelo país, cujo número seria impossível de calcular.

Segundo os dados oficiais, a acelerada taxa de crescimento dos ganhos das camadas mais pobres, que permitiram a redução da extrema pobreza no Brasil, diminuindo três vezes o que previam as Metas do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas), foi uma grande façanha do governo Lula. As metas desafiadoras foram conquistadas graças ao crescimento econômico do país, que ajudou a alavancar a melhoria da renda dos brasileiros, reflexo de uma política econômica acertada, e da grande cartada de Lula, por meios dos avanços em seus programas de transferência de renda.

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Para resumir os avanços do governo Lula, nunca se construiu tantas escolas técnicas e universidades no país, e nunca tantos estudantes oriundos das camadas mais pobres tiveram acesso às universidades como na gestão Lula da Silva. Hoje, não conquista um diploma universitário quem não sonha ter um projeto de vida para o futuro. Noutra vertente, nunca as populações carentes conseguiram ter acesso à moradia como no governo Lula, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, sem contar que foi Lula que tirou o Brasil da dependência secular do FMI.

Todavia, em meio todos os avanços e conquistas, foi durante sua gestão que estourou o grande escândalo de corrupção denominado de "mensalão", envolvendo grandes figuras do cenário político nacional do próprio PT, PTB, do antigo PL etc., com destaques para José Dirceu e José Genuíno, nomes de proa da história revolucionária do Partido dos Trabalhadores, retratado na história de luta pela democracia, quando desafiaram e enfrentaram a linha de ferro da ditadura militar.

O episódio serviu para alimentar a ânsia das viúvas da ditadura e da própria direita conservadora, contaminada por falsos esquerdistas de vanguarda, com a alça de mira voltada exclusivamente para um alvo chamado Lula. Até hoje, nunca conseguiram acertá-lo, para manchar sua biografia. Todavia, em meio a todo fogo cruzado, Lula conseguiu fazer o seu sucessor, elegendo a sua ministra Dilma Rousseff, que se transformaria na primeira presidenta da República do Brasil.

Dilma manteve os programas sociais de Lula, mas teve maiores dificuldades na economia, por causa da crise econômica internacional e, se o Brasil não avançou como ocorreu no governo Lula, não foi por incompetência, mas, pelas circunstâncias. Agora, no campo de batalha já formado para as eleições de outubro, como é natural, a oposição, liderada pelo PSDB, se une para metralhar o governo, tomando como ferramenta principal a corrupção.

No entanto, o PSDB não tem cacife para acusar o PT nesta seara, pelo simples fato de ele ser um dos principais protagonistas, quando o assunto é corrupção e, sobretudo, quando se olha para o passado e se recorda da péssima herança deixada pelo governo de FHC. Tudo isto, sem contar que a média de crescimento do país nos oito anos que o PSDB ficou no comando do governo, foi a pior de toda história da política brasileira, ou seja, 3,2 por cento, enquanto a dívida interna saltava de R$ 30 bilhões para R$ 650 bilhões, ao mesmo tempo em que dobraria a dívida externa.

O que se percebe claramente é que o PSDB não tem um discurso convincente e, tampouco argumentos para derrubar o PT nas eleições de outubro, ainda que se suspeite que ele faça parte do conjunto de orquestração das manifestações contra a Copa do Mundo. Esses eventos bizarros promovidos sem nenhum fundamento, apenas com o intuito de desestabilizar o governo, se perderam na medida em que a Copa atingiu seus objetivos, além de provar que as tais manifestações não tinham nenhum sentido. Portanto, não é difícil concluir que o PSDB está guardando munição sem desconfiar, certamente, no grande efeito colateral que irá produzir contra si próprio.