Tristeza de Corretor é "amigo mala". Aquele que não tem dinheiro para comprar, mas é querido pelo comprador e vem junto para dar "palpites" e ajudar na compra.

Pretendo aqui relatar um episódio curioso dos muitos que já vivi. Nomes e dados pessoais foram modificados para preservar os protagonistas deste episódio, que realmente aconteceu.

Atendi um "bom" cliente certo dia, um Oftalmologista, estava com o filho e procurava um imóvel com certas características.

Mostrei alguns, mas havia um em especial, uma pequena cobertura, que estava totalmente reformada, muito linda, achei que os dois gostariam, afinal, não tinha como não gostar.

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Levei-os até lá e eles se encantaram, voltaram a imobiliária e fizeram uma proposta.

Eles foram embora e eu apresentei a proposta ao vendedor. Depois de alguns acertos o negócio estava quase fechado, quando meu cliente disse que viria com um amigo para que ele visse o imóvel.

No dia marcado ele chegou com o amigo, que logo vi, era um "mala". Falava muito, gesticulava, dizia que o amigo era "o bom", o melhor em sua área, enfim, se tirássemos um Raio X das partes íntimas do cliente, ele como o maior "puxa-sacos" que já vi, estaria lá, grudado, com certeza.

Fomos até a cobertura e assim que chegamos ele começou a ladainha:

_ Isto aqui é muito longe da praia, não gostei, não é para o seu padrão, você é isso..., você é aquilo..., não me convide para um churrasco aqui, e não virei, o lugar não é digno de vocês, etc...

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Ele conseguiu "melar" minha venda, estava a ponto de pular em sua jugular e cortá-la a dentadas, mas me controlei e expliquei que pelo que ele, o cliente, queria pagar, aquele era o melhor imóvel, na melhor localização, que ele poderia comprar.

O "mala" então falou:

_ Mas ele pode pagar muito mais, ele é muito rico. E voltando-se para meu cliente, continuou:

_ Pára de ser "pão duro" e compra algo bom, de acordo com o seu padrão.

O cliente deu uma risadinha sem graça e disse que veria algo um pouco mais caro e mais perto da praia. Pensei comigo mesma:

_Talvez esse "mala" me ajude com uma comissão maior, há "malas" que vêm pra bem...sei lá...

Resolvi levá-los a um apartamento com vista total do mar, o prédio colado às costeiras tinha lazer e muitas varandas, de todos os lados via-se o mar, assim como muito verde. A paisagem era linda e o imóvel muito espaçoso.

Não demorou muito para o "mala" dar palpites e colocar defeitos.

_ Ainda não é para você , tem coisa melhor por aí...

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Eu, já muito nervosa, pois aquele já era o 10º apartamento que mostrava e o preço só aumentava, não aguentei e falei:

_ Doutor, o senhor irá pagar pelo imóvel, este é excelente, sentado no sofá vê-se o mar, mas se quiser pagar mais caro, tenho frente ao mar, mostrarei com prazer, podemos ir agora mesmo.

A esta altura, o cliente, que já havia aumentado em muito o que gostaria de gastar em um imóvel de veraneio, olhou para o "mala" e deve ter pensado com seus botões: "Não gastarei tantos mil reais a mais só para agradar esse cara", e disse:

_ Gostei muito deste aqui, farei uma proposta.

O "mala" não se conformava, queria um frente ao mar, ou não queria nenhum, até hoje não sei ao certo. Só sei que fizemos a proposta e o proprietário disse que tiraria a mobília, o "mala" dava pulos:

_ Como? Tirar a mobília?

Mas o doutor calmamente, cansado da intervenção do outro, aceitou que os móveis fossem retirados, até chegou no valor exigido pelo vendedor, que era muito complicado. Aliás, "o venda complicada essa".

Poucos dias depois, negócio fechado e sinalizado, marcamos a escritura e o doutor deixou "o mala" em casa e veio com o filho, para minha alegria. Ele próprio falou com cara de riso:

_ O meu amigo ficou, achei melhor não vir, assim você não precisa se preocupar, tudo vai correr tranquilamente.

Até ele percebeu que com um "amigo mala" daqueles, tudo poderia dar errado.

No fim, ele comprou o apartamento, que até hoje mantém, gosta muito de lá, até onde sei.

O apartamento no mínimo duplicou seu valor, e o "mala" deve passar bem, mas longe de mim, graças à Deus. #Negócios