Em agosto de 1954, o palácio do Catete, ocupado pelo então presidente Getúlio Vargas, foi ameaçado de invasão. O chefe da Nação estava sendo acusado de acobertar o atentado contra Carlos Lacerda. Getúlio deveria ser preso. Mas, envergonhado e acusado, sentiu-se desonrado: não se entregou e preferiu o suicídio. Na mesma cidade, bem depois, o coronel Fontenele, diretor do Trânsito à época, disciplinava o trânsito e o terrível desrespeito aos locais de estacionamento. Um desses locais era um dos acessos à Câmara de Deputados, agora Assembleia Legislativa, onde os deputados abusavam. Fontenele ia pessoalmente ao local e esvaziava os pneus como punição, o que era legal à época.

Publicidade
Publicidade

Cercado pelos deputados infratores, foi questionado. A resposta se repetia assim: "Lá dentro, o senhor é deputado; aqui, no volante do carro, o senhor é motorista". Motorista como qualquer outro cidadão.

Esses fatos contrastam com dois casos recentes: o do escândalo da Petrobras, reedição desavergonhada do "Mensalão", em que se aninham bandidos de alto nível, roubando elevadíssimas quantias da maior empresa brasileira, num esquema que parece ter começado na Refinaria de Pasadena, no tempo em que a presidente Dilma era presidente do Conselho que respondia pelo funcionamento da estatal. Autorizou irresponsavelmente uma transação de venda e culpou um relatório mal elaborado. Simples, não é? O outro envolve o juiz João Carlos Correa, que dirigia sem habilitação e sem outros documentos, um "carrão" sem placa.

Publicidade

A agente de trânsito Luciana Tamborini, em blitz da Lei Seca, abordou o juiz. Valendo-se do título, o juiz insubordinou-se. Acho que dá para imaginar o tom da conversa entre os dois; a agente reagiu dizendo que ele era juiz e não Deus. Pronto: o juiz foi criminosamente desrespeitado.

A transgressão do juiz à lei ficou em segundo plano. Luciana teve a condenação de uma indenização de cinco mil reais e foi acusada de abusar do senhor juiz, no momento um motorista de carro como outro qualquer (virou "quem tudo pode"?). Os tempos mudaram. Ontem um político preferia perder a vida a ver-se na barra dos tribunais. Hoje políticos e outros envolvidos acham natural roubar o país. Beneficiários do roubo no poder, uns dissimulam que não fizeram nada e "alguém" liberado diz que tudo "será apurado doa a quem doer" (mesmo?). Que tempos são esses? Ou melhor: Que abacaxi é esse? #Opinião #Justiça