Fim de ano marca a votação dos orçamentos para o ano que vem chegando. Chama a atenção a facilidade que os parlamentares têm para aprovar os reajustes de seus próprios vencimentos. Curioso é que eles usam os índices inflacionários como referencial e, mais curioso ainda, é que os reajustes são feitos acima desses mesmos índices. É claro que na hora de analisar o aumento para o salário mínimo, os efeitos que cada centavo aumentado vão causar na economia nacional são levantados às minúcias.

Parece que os recursos destinados ao pagamento dos digníssimos não incomodam nem um pouco o cofre-forte do país. Não entendo por que tamanha dificuldade em aumentar os salários dos outros.

Prevejo grande sofrimento aos terão que sobreviver com as migalhas dadas como aumento em seus vencimentos mensais em 2015.

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Aos que podem reajustar seus próprios salários, evitando perdas futuras e recuperando perdas passadas, o ano começará bem. Aos que tem que se contentar com os míseros reais de um salário mínimo, só resta apertar o cinto e refazer a lista de compras, além de abrir mão do lazer, da saúde, da educação e da moradia, e pedir a Deus que a inflação não vire o monstro que já viveu entre nós tempos atrás.

Aos servidores públicos federais (pelo menos do Executivo), que lutam para recuperar perdas históricas, restará a inglória tarefa de sustentar a pecha de mamadores das tetas do governo. A grande mídia, em tempo certo (março ou abril) mancheteará, em tons de acusação, os reajustes previstos para eles como aumento. Na hora de chamar atenção dos leitores, vale tudo, menos deixar bem claro que os 5% (cinco por cento) que serão aplicados nos salários desses servidores no ano que entra, são a terceira parcela de 15 por cento concedido a título de reposição de perdas, há três anos.

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Se eram necessários 15 por cento há três anos, e esse índice foi parcelado, fica evidente que as perdas não foram repostas e, obviamente, já aumentou a distância do que o salário é, para o que devia ser.

Não se espantem, pois, leitores e cidadãos, quando greves pipocarem. O Governo vai alegar impossibilidade e negará, nas negociações com seus servidores, reajustes e aumentos legítimos. Universidades pararão por mais três ou quatro meses; Policiais farão operações-padrão, outras manifestações acontecerão, e a mídia dará mais ou menos visibilidade.

A essa altura da história, os digníssimos já estarão recebendo seus gordos vencimentos por trabalhos realizados sem a necessidade de bater ponto, comprovar frequência, ou descontar faltas e atrasos. Do alto de seus púlpitos, uns dirão que os servidores precisam voltar ao trabalho, sob acusação de eles estarem maltratando a população. Outros falarão contra o Governo e dirão que é preciso atender os servidores em suas exigências. No fim da sessão, juntos, ambos vão jantar bons repastos, brindarão vinho de muito boa qualidade, e sorrirão satisfeitos com a sensação de dever cumprido. Tim-tim.