Era apenas diferente. Mais ainda por se tratar de uma refinaria de petróleo. Ela mesma, a Refinaria de Pasadena, situada no Texas, que teve o apelido em razão de que estava enferrujada. Ela mesma, a que custou à Petrobras US$1,25 bilhões, "agraciando" a nossa estatal com um prejuízo contábil de US$ 530 milhões. Como foi isso possível? Como aconteceu? No processo de avaliação para a aquisição, a área técnica já não via com bons olhos a refinaria. Pessoas que a conheciam lamentavam a sua existência e o seu apelido, e um sentimento negativo imperava. Mas havia um fortíssimo desejo da área internacional, cujo responsável era Nestor Cerveró, para que o negócio se realizasse.

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Este responsável, ouvido sobre o caso, disse que os eventuais problemas jamais foram apontados pela área técnica como "algo inaceitável ou irreparável".

Além de Cerveró, também foram responsabilizados pelas irregularidades José Sérgio Gabrieli, ex-presidente, Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada, ex-diretores. O prejuízo de US$ 530 milhões foi gerado pela compra da refinaria da empresa belga Astra Oil por US$ 1,25 bilhão. Que esperavam, então, da ruivinha? A direção da estatal brasileira, assim que questionada, negou as condições do negócio e garantiu que a transação havia sido um sucesso. E a então presidente do Conselho de Administração, Dilma Rousseff, ao responder, por escrito, ao jornal "O Estado de São Paulo", afirmou que os conselheiros, incluindo ela mesma, aprovaram o negócio, baseados "num parecer tecnicamente falho" que fora apresentado pela diretoria internacional da empresa.

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Ouvidos a presidente Graça Foster e os diretores citados nas CPIs do Congresso, ficou declarado que a estatal já contabilizara a perda patrimonial decorrente. A partir daí, fica claro que houve uma montagem de um esquema de corrupção, confirmado pela Operação Lava-Jato, brilhantemente encaminhada pela Polícia Federal, associada ao Ministério Publico e à Justiça Federal do Paraná. Apurou-se também a importância de Alberto Youssef, responsável pelo sistema de lavagem de bilhões, o mesmo Youssef que já atuara na remessa ilegal de dinheiro descoberta no processo do "mensalão". A delação premiada agora está revelando mais, a partir deste escândalo...

Um escândalo que ainda tem defensores, que começaram a reagir em tom político: "Oposição, com o apoio da mídia, quer manchar a imagem da empresa e depreciar seu valor". Como? E o país, o que quer? Quem mancha a imagem da Petrobras? E com mancha de "ferrugem"? #Opinião #Finança