Muito se fala na necessidade de reajuste das tabelas do Imposto de Renda, e infelizmente, tal engenharia não fica somente a cargo de técnicos contábeis, mas também dos políticos, que mesmo sem entender patavina da matéria, dão seus palpites e decidem se, quando e onde, devem ser aplicadas as mudanças sugeridas pelos técnicos. Diga-se de passagem que, depois de tudo feito, ainda vão para a "benção" da presidência, que se quiser, poderá vetar as modificações.

E assim, de ano em ano, os cidadãos sofrem os mais diversos ataques aos seus suados rendimentos, sem terem ao menos condição de se defenderem das perdas impostas aos seus bolsos pelas políticas fazendárias.

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Prometem, dessa vez, um reajuste de 6,5% na tabela. Estão esperando a sanção presidencial, para entrar em vigor nas declarações a serem feitas no calendário fiscal de 2015. Em outras palavras, o ano fiscal de 2014 que termina agora e que será alvo das declarações em abril de 2015 não será afetado com nenhuma mudança. Ruim para nós que teremos que nos virar para pagar impostos por salários que não mereciam ser taxados.

Malversação ou não

Não queremos entrar no mérito do uso, bom ou mau, malversação, necessidade de fazer caixa ou pagamentos, que os impostos arrecadados terão como finalidade. Queremos apenas alertar para a descabida cobrança de altos valores de impostos em salários tão ínfimos. Quem ganha, por exemplo, dez míseros salários mínimos, tem em seu contracheque (e bote contra nisso) o desconto de quase dois salários mínimos para o Imposto de Renda.

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E se não comprovar, na declaração, que fez despesas com saúde, educação, e outras dedutíveis, ainda vai deixar de receber esse valor tomado por força de lei, e pode até ser obrigado a pagar ainda mais.

Despesas obrigatórias

A ironia desse sistema é ter como opção de dedução, despesas com educação e saúde, itens que o Estado deveria oferecer com qualidade suficiente para que não precisássemos pagar por fora para ter acesso a elas. O casamento, que antes era passível de ser um motivo de dedução, virou arma para a Receita fazer suas peripécias. O cônjuge, hoje, não pode mais ser um dependente, pois se ele trabalhar, vai acrescer sua renda e fazer com que a mordida seja maior e mais amarga para o contribuinte. Mas o pior ainda está por vir quando o cidadão tem outro vínculo empregatício, para poder viver melhor e sustentar sua família com alguma decência. A Receita vê aqueles ganhos como sendo um só e tributa a soma dos salários, penalizando o indivíduo que ganha, por exemplo, dois pequenos salários, que juntos, alcançam o mínimo estipulado para a taxação.

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A sanha do Leão por reais da população precisa ser revista urgentemente, pois cabe à população se defender dos ataques e desenvolver estratégias para evitar a mordida. Sonegações ilegais ou não, que possam ser realizadas dentro das brechas das leis estão entre as opções escolhidas pelo contribuinte. Em vez de brigarem entre si, Receita e cidadão poderiam buscar um caminho menos belicoso para ambos. Talvez o afastamento dos políticos da gerência fazendária, deixando-a nas mãos dos técnicos, seja um bom começo. #Governo #Finança