Em 2014, o número de exportadores brasileiros cresceu pelo segundo ano consecutivo. Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), mostraram que de janeiro a dezembro do ano passado, 19.250 empresas brasileiras realizaram vendas ao exterior. Foram 441 a mais que em 2013, que registrou 18.809, um crescimento de 2,3%. No entanto, a receita exportada pelo Brasil teve queda de 7% entre 2013 e 2014.

Para a especialista em Comércio Exterior, Cynthia Kramer, o crescimento no número de exportadores brasileiros se deve ao esforço das pequenas e médias empresas em se internacionalizarem. "O problema é que, apesar de o número de exportadores ter crescido, o valor das exportações, como um todo, caiu, e as pequenas e médias não se mostram capazes de se sustentar no mercado internacional, o que acarreta uma grande substitutibilidade nas empresas exportadoras brasileiras de pequeno e médio porte".

Publicidade
Publicidade

A corrente de comércio, foi de US$ 454,132 bilhões no ano, uma média de US$ 1,795 bilhão, com diminuição de 5,7% em relação à média de 2013, que registrou US$ 1,903 bilhão. O saldo comercial em 2014 ficou negativo em US$ 3,93 bilhões. Para ela, 2014 foi um ano muito ruim para a indústria brasileira como um todo, seja ela exportadora ou não.

Para Kramer, afastar investimentos estrangeiros nunca é bom e acredita que é preciso se esforçar para aprovar acordos bilaterais de investimento com o objetivo de atrair investimentos para o desenvolvimento da economia do País. "O contexto internacional, de fato, não tem propiciado o aumento das exportações. As causas são diversas e passam não só por queda no consumo dos países consumidores mas, sobretudo, por problemas internos brasileiros, que não garantem competitividade às nossas exportações.

Publicidade

É o que chamamos de Custo Brasil: alta carga tributária, precária infraestrutura, altos encargos trabalhistas e câmbio desfavorável", diz.

Para ela, o Brasil perdeu a credibilidade no âmbito internacional, "pois foi um país que aparentou estar decolando, mas poucos anos depois, mostrou suas fragilidades e caiu novamente. Corrupção, insegurança jurídica, falta de infraestrutura e altos custos tributários e trabalhistas têm afastado o investidor estrangeiro".

Kramer, disse ainda que se o Brasil não conseguir investimentos estrangeiros, o governo terá de se esforçar para que o setor privado invista no próprio país, via parceria público-privada. "O mercado nos EUA é imenso e o perfil do cidadão norte-americano é consumista. Entretanto, o governo brasileiro não tem se mostrado muito favorável ao estreitamento das relações com os EUA. Se o governo brasileiro sinalizasse a assinatura de algum acordo de livre comércio ou, ao menos, de preferência tarifária, aí sim poderíamos acreditar em um aumento das exportações para esse país".

Publicidade

Para esse ano, a especialista acredita em um cenário desfavorável para o Brasil e sinaliza que o governo terá que prestar mais atenção no comércio exterior e questões internas que afetam a competitividade do produto brasileiro no exterior. "Caso contrário, estaremos nos afastando cada vez mais das cadeias globais de valor", finaliza. #entrevista