Diante da crise energética e o elevado risco de racionamento no Brasil, um novo setor sucroenergético se estabelece no país: uso de biomassa para produzir eletricidade. Especialistas apontam que a utilização da cadeia produtiva do álcool e açúcar pode aumentar a oferta de energia entre 10% e 15% este ano, a porcentagem seria sobre os 20,8 mil GWh que foram gerados ano passado. Esta quantidade já teria ultrapassado a margem de 21% gerada em 2013.

A base é utilizada na capacidade que é instalada atualmente, e não só o bagaço da cana seria usado, mas também outros materiais, como cavaco de madeira. Atualmente, apenas 4% é utilizado de biomassa no consumo nacional de energia.

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Essa pequena porcentagem só não é maior porque ainda falta infraestrutura eficiente e requisitos regulatórios que facilitem o desenvolvimento de tecnologias da cogeração nas usinas.

Para Zilmar Souza, gerente em bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única), para desenvolver a utilização de biomassa para a produção de energia seria necessário que unidades produtoras investissem no chamado 'retrofit'. Ou seja, é necessária uma atualização e reforma tecnológica do parque industrial para que os equipamentos necessários na utilização da biomassa sejam comportados para fornecer a cogeração.

Para Zilmar, o governo seria um importante agente para impulsionar o setor. Isso vale para o plano de investimento lançado, que colocaria em linhas de transmissão nos próximos anos R$ 6 bilhões para a produção de energia.

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Atualmente, a energia de cogeração está concentrada em áreas de fronteira, como Goiás e Mato Grosso, e foram erguidas nos anos de 2008 e 2009, quando houve o boom do setor. Contudo, as atuais linhas presentes em São Paulo, que é o principal produtor, possuem uma infraestrutura fraca e obsoleta. No caso de usinas antigas, o gerador é que paga a distribuição, o que, em casos práticos, deveria ser o contrário.

Segundo a diretora da Thymos Energia, Thais Prandini, a produção de energia por biomassa pode passar dos 4% produzidos atualmente para suprir 12% de todo o consumo nacional em 2015. Para ela, se as usinas brasileiras passassem a produzir energia para o sistema, elas produziriam mais do que a usina de Belo Monte.

Para se ter uma ideia do quão importante essa fonte é para o Brasil, em 2014 a produção por cogeração abasteceu 11 milhões de resistências, ou seja, o abastecimento realizado equivalerá a produção de 52% do que a hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, será capaz de produzir quando a construção for concluída.

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Para Thais, a energia de cogeração é importante, mas sozinha não é capaz de sustentar o país. Esse fato é decorrente da diversificação, ou seja, existe a sazonalidade decorrente de períodos de seca, que impactam diretamente as usinas hidrelétricas, e as entressafras de cana também sofrem com a seca.

Para a produção de biomassa, cerca de 80% é representada pelo bagaço e pela palha. Em termos de produção, cada tonelada de cana gera mais de 200 kg de palha e de 250 kg a 270 kg de bagaço, que serão utilizados para a produção de energia.

O cenário para 2015 é promissor para a produção de energia para cogeração, uma vez que ela é produzida de forma rápida e, em relação as hidrelétricas, não existem discussões acerca de impactos ambientais, como é o caso das usinas.

Um dos entraves para a produção de energia através de biomassa é o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que é estabelecido pela Aneel. Este ano, o teto da PLD é de R$ 388,48 por MWh, bem abaixo do que era em 2014, que representava um teto de R$ 822,83 por MWh. A geração pode ser estimulada por um preço melhor.