A Peugeot vive, talvez, seu pior momento no Brasil. Há sete anos, a marca ocupava a oitava posição entre as maiores do mercado nacional, com uma participação de quase 3% no segmento, que reúne carros de passeio e comerciais leves. Hoje, ela não figura nem entre as dez primeiras, viu sua fatia do bolo ser reduzida a um terço (1%) e suas vendas caírem quase 45%, só em 2014.

Neste ano, o grupo PSA Peugeot-Citroën encerra um ciclo de investimentos no Brasil de R$ 3,7 bilhões e o utilitário-esportivo (SUV) 2008, que acaba de ser apresentado, é o último produto deste plano, que também ampliou a capacidade de produção da fábrica de Porto Real (RJ) para 220 mil unidades anuais.

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"Só para a nacionalização do 2008, investimos R$ 400 milhões entre ferramental e desenvolvimento", enfatiza o chefão da PSA para a América Latina, Carlos Gomes. O modelo chega às lojas com preços a partir de R$ 67.190 para a versão Allure, que combina o motor bicombustível 1.6 litro 16V de 122 cv, ao câmbio manual de cinco marchas ou, opcionalmente, à ultrapassada transmissão automática de quatro velocidades. A tração é exclusivamente dianteira.

Para fazer frente aos novos HR-V, da Honda, e Renegade, da Jeep, o Peugeot 2008 foca a esportividade. Ele é o único, por exemplo, que oferece motorização flexível turboalimentada, a unidade THP de 173 cv, e se não dá para entrar na briga sem se travestir de aventureiro, a versão topo de linha (que não sai por menos de R$ 79.590) traz o inédito Grip Control um controle de tração com modos dedicados para "Lama", "Areia" e até "Neve" - na prática, perfumaria.

A estratégia de subir um degrau em termos de preço, para uma marca em franco declínio, no mercado nacional, é muito arriscada, mas o consumidor brasileiro tem "razões que a própria razão desconhece", parafraseando Pascal.

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"Nossa expectativa comercial é de 1.000 unidades mensais e a versão mais cara terá uma participação de, no máximo, 15% no mix do 2008", afirmou o diretor de marketing da Peugeot, Frederico Battaglia. Se sua previsão estiver certa, o SUV pode aumentar as vendas da marca, no país, em até 40%. #Automobilismo